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Negros, século XX e o mercado de trabalho

Hemera/Thinkstock
Após a abolição, em 1888, faltaram medidas sociais que evitassem a condição de miséria a que o negro brasileiro foi submetido


Pouco depois da dissolução da Frente Negra, o quadro da população afro na sociedade brasileira foi descrito pelo historiador brasilianista George Andrews, no livro Negros e brancos em São Paulo, que aborda o período de 1888 a 1988:


"Proporcionalmente, os negros eram minoria em todos os setores ligados à classe média, como profissões liberais e proprietários de empresas agrícolas, industriais, comerciais ou de serviços.

 O Censo de 1940 sugere que a única área de emprego da classe média em que os afro-brasileiros se aproximavam com alguma paridade era o setor público. Mas esses empregos estavam longe de ter um status de classe média, pois incluíam varredores de rua, trabalhadores da construção e serviços de escritórios como mensageiros e serventes."








São Paulo possui a maior concentração de afro-brasileiros do país, considerando os números absolutos. A população afro-paulistana é significativa em percentuais e ultrapassa os 30%, mas a falta de medidas reparatórias no início do século passado e o racismo velado do cotidiano não possibilitaram uma ascensão social para esse grupo.

Ainda conforme Andrews, "as barreiras vistas no setor privado podiam ser vistas no setor público, como no caso relatado no jornal O Combate de 1915, onde um professor altamente qualificado foi impedido de assumir o cargo em uma escola pública de Itapetininga por causa de sua raça. Apesar disso, quando comparado com as oportunidades de emprego no setor privado de São Paulo, o setor público constituía a rota mais propícia para os afro-brasileiros desejosos em escapar do trabalho braçal e ascender a cargos de colarinho branco".

"Para se qualificar alguém como membro da classe média negra não precisava ser doutor. Bastava ser funcionário público ou ter um emprego de caráter fixo." - Definição de Andrews do que era pertencer à classe média negra.

 

E o autor concluiu:


"Estava claro para todos que os negros continuavam a ocupar uma posição rebaixada e subordinada na sociedade brasileira. A doutrina da democracia racial isentava a política do Estado ou o racismo informal de qualquer responsabilidade pela situação da população negra, até mesmo responsabilizando-os diretamente por sua condição. Se os negros fracassassem em sua ascensão social a culpa era totalmente deles.

A pobreza e a marginalização dos negros era a confirmação, não do fracasso da democracia racial, mas sim a preguiça, ignorância e incapacidade dos negros. Durante essa época esse fenômeno era explicado por diversas teorias como o darwinismo social e o racismo científico. Assim, qualquer afro-brasileiro que questionasse a noção de democracia racial, corria o risco de ser confrontado com análises de sua deficiência intelectual embasada no grupo racial ao qual pertence."







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