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Negros e a mídia publicitária

iStockphoto/Thinkstock
Na publicidade, poucas vezes o negro aparece em posição de destaque, como a de um executivo

Em uma pesquisa intitulada
"Racismo anunciado: o negro e a publicidade no Brasil”, o pesquisador Carlos Augusto de Miranda e Martins faz um recorte histórico de 20 anos (1985-2005) nas publicações da revista Veja e aponta como a imagem do negro vem sendo publicada nos anúncios do país.

Martins percebeu que alguns avanços foram conquistados, mas também que a imagem do afro-brasileiro ainda estava longe de ser aquela que o movimento negro almejava. O racismo cordial que a utópica “democracia racial” havia forjado desde a abolição mantinha-se forte, atuante e de forma sutil, subliminar; no entanto, caminhava extremamente eficiente, mantendo a hierarquia étnico-racial e as desigualdades entre negros e brancos praticamente “intactas”.

A sociedade brasileira poderia até ter abandonado um pouco algumas imagens estereotipadas dos afro-brasileiros, mas ainda continuavam a refletir em suas campanhas publicitárias quais eram os espaços “destinados e permitidos” aos afros na sociedade.

"Poucas vezes eles aparecem em posições valorizadas ou de destaque como executivos, donos de negócios, professores ou jornalistas. Ao mesmo tempo são comuns representações do negro como trabalhador braçal, tais como doméstica, operário, carregador (...)", destaca Carlos Martins. "Fica a impressão de que os cargos executivos na empresa estão reservados exclusivamente para os brancos".

Apesar dos avanços por parte do movimento negro, de intelectuais e do governo, Martins afirma que no início do século XXI ainda era tímida a participação do negro no espaço publicitário brasileiro.



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