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  O negro na contemporaneidade   
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Negros e a mídia televisiva

De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Economica Aplicada (Ipea) e pelo Fundo de Desenvolvimento nas Nações Unidas para a Mulher (Unifem), na década de 1990 os homens brancos ganhavam em média quatro vezes mais do que as mulheres negras, mais de 20% das crianças negras de 10 a 14 anos já trabalhavam (índice 50% superior ao de crianças brancas) e homens negros recebiam a metade do que recebiam os homens brancos.

A maior parte do empresariado brasileiro não acreditava na força econômica dos negros. “Na lógica dessa maioria, preto é igual a pobre, que é igual a consumo de subsistência”, afirmou o cineasta Joel Zito Araújo. Ou seja, a imagem do negro na televisão não será diferente das imagens difundidas no meio publicitário das propagandas de produtos e serviços, conforme apontou Carlos Martins.

Leia abaixo um trecho do livro A negação do Brasil, no qual Joel Zito Araújo relata, no capítulo 'Televisão e racismo', um fato explícito da TV brasileira que deixamos passar despercebido:


Comstock/Thinkstock
Estereótipos como o do negro pobre e inculto ainda não foram completamente quebrados
“Em decorrência de um artigo de Roberto Pompeu de Toledo, que estranhava a predominância de loiras nos comerciais da tevê brasileira, publicado na revista Veja, em 23 de junho de 1993, uma leitora brasileira, moradora de uma cidade dinamarquesa, enviou para o autor vários recortes de anúncios, que refletiam a propaganda e os programas de tevê daquele país, com uma constatação curiosa: existem mais negros, mulatas e japoneses na tevê dinamarquesa do que na tevê brasileira.”


A Ditadura Militar ocorrida no país em muito contribuiu para o sufocamento de manifestações e outras formas de resistência. No âmbito televisivo, o espaço estava aberto para que a situação da discriminação racial caminhasse sem maiores entraves. Joel Zito Araújo fala sobre os patrocinadores e produtores da televisão norte-americana, que influenciava nas escolhas de suas subsidiárias no Brasil:


“Soberanos em um contexto em que não podia haver resistência negra, dificultada pela existência de uma ditadura militar, que tolhia os direitos democráticos da população brasileira, os publicitários podiam exercitar o modelo norte-americano.”

A situação da população negra tornava-se um “ciclo vicioso”, no qual a marginalidade cotidiana, os estereótipos e as discriminações tornavam-se recorrentes na TV e na publicidade também. Outro estereótipo se formava com a contribuição massiva da mídia, a do negro pobre, inculto e marginal. Raríssimas serão as exceções em que os negros serão representados de maneira positiva e em condições dignas ou de destaque. Dessa forma, o controle dessa população sai da esfera física (fato comum ao período da escravidão) e se transfere para o âmbito ideológico.

O controle, a partir da produção de estigmas e estereótipos, é bem mais eficiente. Em uma sociedade racista como a brasileira, essa é uma ferramenta indispensável.



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