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Pluralidade Cultural  

Representatividade

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O doutor em antropologia social Jacques d’Adesky destaca que as particularidades dos homens podem ser objetos de troca e enriquecimento mútuo

Apesar dos avanços, as ações afirmativas
ainda são bastante controversas e a sua adoção e aplicabilidade provocam debates e muitas polêmicas. Vale ressaltar que o objetivo das ações afirmativas é o de reduzir e não o de ampliar a importância da raça/etnia na sociedade, ao contrário do que dizem algumas pessoas ou grupos contrários a essas ações.

Na obra Anti racismo, liberdade e reconhecimento, o doutor em antropologia social Jacques d’Adesky afirma: “Ao viver em determinados contextos socioculturais, o homem é também percebido nas suas diferenças, pois é dotado de múltiplas particularidades que podem ser objetos de troca e enriquecimento mútuo, e, às vezes motivos de discriminação e intolerância”.

Os afrodescendentes se enquadram nessa condição de discriminação e intolerância por seu trajeto histórico. Alguns especialistas afirmam que para se combater a falta de representatividade que a exclusão, o racismo, a discriminação, a baixa estima e o estigma provocam, a alternativa seriam ações reparatórias.

O filósofo canadense Charles Taylor sustenta que a falta de reconhecimento, ou a ausência de um reconhecimento adequado, é capaz de gerar um “aprisionamento” das pessoas. No plano individual, isso são barreiras e obstáculos poderosos contra o desejo de autonomia dos indivíduos. Já no campo social, Taylor acredita que essa negatividade do reconhecimento igualitário sobrepõe obstáculos invisíveis que afetam a plena liberdade dos indivíduos daquele grupo desvalorizado e os impossibilita de desenvolverem-se no âmbito socioeconômico. Isso significa mantê-los em uma sub-condição de qualidade de vida.
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Objetivo das Ações Afirmativas é reduzir e não ampliar a importância da raça/etnia na sociedade

Tal pressão social promove um constrangimento que restringe qualquer capacidade de reação do grupo estigmatizado. Sobre isso, diz Jacques d’Adesky: “No caso do racismo e do sexismo, o constrangimento é ao mesmo tempo uma humilhação, na medida em que é baseado, não numa escolha individual, mas numa estigmatização imposta pela sociedade, ou seja, numa marginalização que se apoia em características biológicas ou físicas”.

E conclui:
“Talvez esse tipo de encaminhamento possibilite que todos compreendam que, num contexto democrático, reivindicar direitos de proteção para os afrodescendentes justifica-se pelo fato de que os membros desse grupo sofrem efetivamente injustiças sociais de um tipo particular (cerceamento ao direito de enunciação, discriminação no acesso ao capital, no mercado de trabalho, na representação midiática etc.). Essas injustiças muitas vezes permanecem invisíveis para os membros da maioria branca, pelo próprio fato de pertencerem à maioria.”




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