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  A matriz negra   
Pluralidade Cultural  

Escritas africanas

Waj/Shutterstock


A escrita, que historicamente esteve ligada as civilizações urbanas e serviu de instrumento do comércio e da administração, e que a sua invenção apesar de atender às necessidades e à natureza dos povos de acordo com a sua origem e contexto, nem sempre foi muito bem evidenciada.

As motivações iniciais que permitiram o surgimento da escrita em determinado grupo podem variar consideravelmente.

No continente africano, tanto no período dos faraós como no reinado dos soberanos do Daomé ou dos Mansa Mandinga, a utilização da escrita teve principalmente uma finalidade, a necessidade de ordem não material, e possuíam a dupla função:

1 - Materializar o pensamento e a partir disso criar uma ação de caráter sagrado e religioso;

2 - Perpetuação da história.

Especialistas que conseguiram com notável minúcia debruçar sobre as escritas originárias africanas em geral não se atentaram ou interessaram pelo vínculo óbvio e tecnicamente demonstrável entre os hieróglifos e as escritas mais conhecidas do continente negro.

No Egito, os hieróglifos permaneceram fundamentalmente pictográficos em sua originalidade e função nos templos, assim como seu homólogo daomeano.

Ambos fazem referência a imagens, são escritas de forma voluntariamente realista, preocupada em materializar objetos, ideias e seres, e em manter ou restituir suas qualidades naturais.

A escrita pictográfica está tão ligada a esse contexto sacro que a sua deformação pelo uso cursivo que altera e desfigura os elementos representados somente é permitido fora dos templos.

Durante milhares de anos, a tradição africana não foi capaz de profanar o pensamento e seus suportes gráficos e orais, ao contrário dos indoeuropeus.



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