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  A matriz negra   
Pluralidade Cultural  

Trabalhos inconclusivos

Juliya Shangarey/Shutterstock


Estima-se que exista no continente entre 1.300 a 1.500 idiomas classificados como línguas. Até as línguas mais simples encontram obstáculos, já que o levantamento desses idiomas ainda não atingiu a precisão desejada em seus resultados.

Muitos falares que são elencados como “línguas” são apenas alternâncias ou variantes dialetais de um mesmo idioma.

De acordo com P. Diagne, na coleção História geral da África I:


"A partir de testemunhos vagos, que apoiam conclusões de autores ou informantes desavisados, as variantes foram rapidamente classificadas não apenas como línguas diferentes, mas como elementos de famílias diferentes."



O processo de migração do continente misturou povos de origens diferentes e o parentesco entre eles foi estabelecido de forma simplista e rápidas demais, ou seja, o pesquisador se confronta com dois grandes obstáculos que já foram mencionados acima:

1 – A falta de amadurecimento das pesquisas e o seu estado ainda parcial e embrionário;

2 – Os resultados provisórios são inexploráveis porque frequentemente são falsificados pela ideologia ou então deformados pelas perspectivas etnocêntricas.

Apesar da pequena densidade demográfica comparada ao restante do mundo, a África possui um nível de complexidade linguística mais elevada do que qualquer outro continente.

Isso, agregado ao imenso fluxo migratório, exploração e distorcida visão etnocêntrica da Europa, explica a inexistência até o momento de um mapa linguístico detalhado.

Os mapas etnodemográficos do continente até hoje produzidos carecem de clareza, são confusos no tocante à distinção linguística e étnica e em muitos casos são demasiadamente simplificados para apresentar algum valor científico.

A linguística só irá desempenhar um papel relevante no continente se for empreendido um grande esforço em sua área de pesquisa, já que para termos uma ciência histórica africana plena, necessitamos obrigatoriamente desse estudo.

Até o presente momento a sua contribuição foi discreta e inconsistente no plano científico.

Com esse quadro podemos esperar que em um futuro próximo (já que hoje se olha para o continente de forma diferente), uma análise das línguas africanas que contribua para desvelar aspectos cruciais da história do continente e consequentemente do mundo.



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