Busca  
  Idade Moderna   
Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

O domínio holandês

Adaptação especialista/ Bruna tiso
A cor da pele passou a estratificar a sociedade. As melhores oportunidades ficavam restritas ao topo da pirâmide, ou seja, aos brancos

No século XVII, a Companhia Holandesa das Indias Orientais estabeleceu um assentamento na região do Cabo, pois pretendia controlar o acesso aos portos da região e, consequentemente, ter um local seguro para as paradas de seus navios. Jan van Riebeeck foi o escolhido para liderar a construção dessa feitoria. Seu objetivo era criar um local que pudesse abastecer os navios com alimentos e água, garantindo assim a continuidade da viagem até a Índia. Vale mencionar que os homens e mulheres que foram para o Cabo não eram colonos e sim empregados da Companhia de Comércio.

Entretanto, van Riebeeck teve diversos obstáculos para consolidar a feitoria:

- Difícil acesso ao gado, pois este era monopolizado pelos Khois;

- Problemas com o solo para produção em larga escala de cereais;

- Escassez de mão de obra para a agricultura.

A Companhia percebeu que a melhor alternativa seria liberar alguns de seus trabalhadores, transformando-os em colonos. Isso garantiu a esses homens a possibilidade de sair dos domínios da feitoria e consolidar uma ocupação em território africano. Desenvolveram o comércio, mas era de caráter exclusivo da Companhia de Comércio.

Além desses pontos, vale destacar que as terras doadas a esses colonos estavam situadas em região de pastagem dos gados dos Khoikhoi. Esse fato gerou diversos conflitos entre os nativos e os colonos. Com essa dificuldade de desenvolver a agricultura, os colonos tornaram-se pastores – os chamados boers.

Conflitos entre boers e khoikhoi

Ocorreram dois principais conflitos entre os boers e os khoikhoi. O primeiro aconteceu entre os anos de 1659 e 1660. Terminou com uma vitória dos boers, graças ao domínio das armas de fogo e da utilização de cavalos. Com isso, o governador do Cabo, van Riebeeck, declarou propriedade boer as terras entre a costa e o rio Breede.

O segundo conflito ocorreu entre os anos de 1673 e 1677. Após a primeira derrota, os khoikhoi foram forçados a ir para o interior do continente e acabaram invadindo territórios de outros grupos étnicos. O clã cochoqua acabou se destacando nesse novo cenário e transformou-se em um intermediário entre outros clãs e os colonos, detendo o monopólio do gado e de outros artigos.

Esse enriquecimento gerou novas brigas entre colonos e khoikhoi, que terminaram com nova derrota dos nativos. Além de perderem o conflito, os khoikhoi tiveram seus rebanhos tomados pelos colonos, que agregaram novas terras ao território boer.


Esses conflitos geraram ainda mais dificuldade para o acesso à mão de obra, pois não se podia contar com os nativos. Com isso, adotou-se uma política de doação de terras para estrangeiros, principalmente alemães e franceses. Entretanto, um novo problema surgiu: o desequilíbrio entre os sexos.  Esse problema ocasionou um grande processo de miscigenação que, devido ao temor dos colonos, culminou com a criação das primeiras leis restritivas das relações multiétnicas. Nesse momento, a cor da pele passou a ser um fator de posição social.

Após esse conflito e, consequentemente, da expansão do território, a tensão nas fronteiras ficaram ampliadas, pois os boers já possuíam terras no território dos xhosa. Os conflitos derivados desse fato receberam o nome de Guerras Cafres e ocorreram entre os anos 1778 e 1856.

Todos esses conflitos e conquistas, somados à opressão da Companhia Holandesa das Índias Orientais, acabaram por gerar um sentimento de união, criando uma espécie de nacionalismo entre os colonos. A partir desse momento, pararam de se denominar boer e nomearam-se  afrikaners.

Embasados por esse nacionalismo, forjado em meio aos conflitos contra os negros, os afrikaners opuseram-se ao domínio da Companhia de Comércio. Por meio de suas Treks, buscaram a liberdade e ampliaram seus territórios.

Anterior Início Próxima