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Labatut e o cerco a Salvador

Biblioteca Virtual 2 de julho
General Pierre Labatut
Com a decisão de romper definitivamente com Portugal, fazia-se necessária uma intervenção definitiva na Bahia, pois a Guerra de Bloqueios se mantinha. D. Pedro decide enviar reforços para os baianos, visando colocar um fim à batalha. Para isso, contratou o General Pierre Labatut, veterano de guerra das tropas de Napoleão Bonaparte.

Em suas tropas, pela primeira vez, percebia-se a presença de negros e mulatos. Junto de Labatut chegaram duzentos negros que compunham o grupo “Os Libertos do Imperador”. Antes de chegar à Bahia, Pierre Labatut fez paradas estratégicas de recrutamento em Alagoas e Pernambuco, com isso conseguiu unir em torno de 1.700 soldados.

Contudo, ele sabia que esse número não era suficiente para garantir uma vitória sobre os portugueses, por isso, para ampliar a tropa, ao chegar ao Recôncavo, utilizou do recrutamento de escravos em troca de alforria. Obviamente os senhores se opuseram no início, mas de forma autoritária, Labatut permaneceu com seus objetivos iniciais e utilizou diversos soldados negros e mulatos em suas tropas na luta contra os portugueses.

Ubiratan Castro de Araújo define muito bem a conquista: “Labatut terminou constituindo um primeiro exército nacional brasileiro, formado por homens que aderiam a uma causa - o ideal da Independência comandado por oficiais vindos do Rio, de Pernambuco e por homens de cor da Bahia, e tendo no comando supremo um general estrangeiro que fazia questão de impor pela violência a sua autoridade por cima das hierarquias sociais tradicionais. Era uma espécie de pequeno Bonaparte baiano”.

Com o exército formado, general Labatut optou por manter a estratégia de cercar a cidade de Salvador, dificultando o acesso a produtos de primeira necessidade. Os portugueses passaram a atacar as colunas organizadas por Labatut, pois precisavam romper com o cerco e garantir o abastecimento das tropas. Contudo, não obtiveram sucesso. A maior batalha, que mostrou o poder do exército baiano, foi, sem dúvida, a Batalha de Pirajá. Essa batalha foi caracterizada pela tentativa de avanço português sobre o Recôncavo, mas o fato mais lembrado é da debandada desordenada do exército luso fruto da ação de Corneta Lopes.

Bruna Tiso e Gisele Toledo


Corneta Lopes
Na batalha de Pirajá, o exército português, muito mais organizado e aparelhado, entrou em conflito com as tropas patriotas. Após uma longa noite de luta, os portugueses mantinham o ataque e os patriotas já extenuados não poderiam manter por muito mais tempo as posições. Nesse contexto, surge a figura do corneteiro Luís Alves Lopes, mais conhecido como Corneta Lopes, que ao amanhecer deu o toque de atacar ao exército patriota. Contudo, os baianos não tinham força para impor um ataque consistente naquele momento. A história tem duas versões:

•    Corneta Lopes teria errado o toque, pois teria recebido a ordem para dar o toque de recuar, visto que a derrota era inevitável. No entanto, seu erro desesperou os portugueses que acabaram recuando após escutar o toque de ataque proferido por Corneta Lopes.
•    Corneta Lopes teria blefado e dado o toque de atacar pensando que isso poderia aumentar a moral dos baianos e reduzir os ímpetos dos portugueses.

Seja qual for a versão correta, sabe-se que Corneta Lopes entrou para a história e teve papel preponderante na Batalha de Pirajá.



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