Busca  
  Corpo humano   
Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias.  

Como a droga faz o que faz

Para entender o efeito causado pelas drogas, é importante compreender alguns aspectos da complexa – e ainda pouco desvendada – química do cérebro humano, a neuroquímica.


Conexões neurais

Nosso cérebro é formado por neurônios e outras células. Os neurônios, uma vez danificados, não se regeneram
As drogas psicotrópicas agem no sistema nervoso central (SNC), cujo órgão principal é o cérebro. O cérebro humano é formado em grande parte por neurônios, células muito sensíveis responsáveis por transmitir informações nervosas.

Quando nosso cérebro vai executar qualquer coisa – desde aquelas que controlamos, como falar ou correr, até as que não dependem de nossa vontade, como respirar ou manter o coração em funcionamento –, entram em ação os impulsos nervosos. Impulsos nervosos são sinais formados basicamente por estímulos químicos, que desencadeiam um sinal elétrico. Esse sinal passa de um neurônio para outro, transmitindo a informação necessária para o cumprimento da ação. Toda essa atividade elétrica do cérebro pode ser monitorada pelos médicos em um exame de eletroencefalograma, por exemplo.

As sinapses

Todo o impulso nervoso no cérebro é transmitido nas sinapses – conexões entre os neurônios. Os cientistas associam nossa capacidade de armazenar informações às sinapses. Assim, tudo o que somos estaria armazenado no nosso cérebro por meio de sinapses. Quando aprendemos uma informação nova ou vivemos novas experiências, novas sinapses são estabelecidas entre os neurônios. E é justamente na sinapse que atuam as drogas psicotrópicas.

Cuide de seus neurônios!
Ao contrário da maioria das células do nosso corpo, que morrem e são substituídas por outras, os neurônios não se regeneram. Por isso, todas as células danificadas pela ação das drogas no organismo estão perdidas para sempre.
 

Neurotransmissores

Quando um neurônio precisa se comunicar com outro, ele manda um neurotransmissor para o espaço sináptico – onde estão localizadas as sinapses.

Os neurotransmissores são substâncias químicas que cumprem funções específicas e se conectam a regiões específicas dos neurônios, chamadas receptores. Cada tipo de neurotransmissor possui receptores específicos, capazes de reconhecer unicamente sua estrutura química. Para entender esse processo, pode-se comparar um neurotransmissor a uma carta com remetente – apenas o destinatário é capaz de receber e interpretar a carta, ninguém mais – ou a uma fechadura que reconhece uma chave.
 
Fique atento!

Um neurotransmissor funciona como um mensageiro químico. Quando ele sai de um neurônio e se liga a outro, dá início a uma sequência de reações químicas que levam à produção de substâncias capazes de alterar a regulação do nosso organismo. Em situações de perigo, por exemplo, os neurotransmissores geram um sinal elétrico que ativa a produção de adrenalina pelas glândulas adrenais. A adrenalina, por sua vez, desencadeia uma centena de processos químicos. Como resultado final, temos o aumento nas performances muscular e cardiovascular, preparando-nos para correr ou lutar, por exemplo.
 
 
Estrutura semelhante

Várias substâncias – sejam elas químicas, sintéticas ou produzidas por outros seres vivos – possuem estrutura química semelhante à dos neurotransmissores, podendo ligar-se temporariamente a determinados receptores. Essa ligação "não natural" altera a transmissão de informações no espaço sináptico, produzindo efeitos diversos no organismo, tanto nas funções fisiológicas e metabólicas quanto nas funções psíquicas. Substâncias como a cocaína, a heroína, a morfina, o tetra-hidrocanabinol (THC, presente na maconha), a MDMA (conhecida popularmente como ecstasy) e o LSD são capazes de interferir significativamente na transmissão do impulso nervoso que ocorre no espaço sináptico, causando os efeitos relatados pelos usuários. A maneira como essas substâncias atuam é apenas parcialmente conhecida, devido às dificuldades envolvidas no estudo da complexa química que opera no espaço sináptico.

Dependência

Algumas vezes, o organismo se adapta à presença da droga e a substância ingerida torna-se parte dos processos de regulação da transmissão dos impulsos nervosos. Para que o usuário possa continuar tendo as sensações da droga, precisa tomar doses cada vez maiores e o organismo também se acostuma a elas. Cria-se um círculo sem fim. Esse quadro é chamado de dependência química e ela só pode ser resolvida com tratamentos de desintoxicação, a fim de que o organismo reinicie os ciclos de produção e captação de neurotransmissores sem a necessidade da droga para a sua regulação. Embora muitos tratamentos de desintoxicação sejam bem-sucedidos, a situação de dependência não poderá ser superada se os aspectos psicológicos e sociais não forem devidamente resolvidos. Os tratamentos eficientes são aqueles nos quais várias faces da dependência são consideradas em conjunto. A dependência é considerada uma doença crônica, isto é, sem cura. O dependente que não usa mais uma determinada droga não está curado, apenas não apresenta mais os sintomas da doença. Caso volte a usar a droga, os sintomas da dependência reaparecerão. Por isso, na maioria dos casos, o dependente deve manter-se abstêmio (não consumir nenhuma droga).

 



Anterior Início