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Os mais inteligentes

Desde que começaram a ser estudados, os polvos vêm surpreendendo os pesquisadores. Isso por causa de seu cérebro, muito desenvolvido para um invertebrado.

Os polvos, também chamados "octópodes", possuem oito longas pernas. Seus olhos são os mais desenvolvidos entre os invertebrados
 
 
Oito pernas

Ele é muito tímido. Por isso o polvo prefere passar a maior parte do tempo escondido em pequenas tocas no fundo do mar, entre rochas ou escombros. Sai de lá apenas quando a necessidade aperta – na hora de se alimentar, por exemplo, quando se arrasta pelo fundo do mar com suas oito ágeis pernas, prontas para capturar a primeira presa que aparecer pela frente (em geral um caranguejo distraído ou uma lagosta gorducha). Seus olhos, os mais desenvolvidos entre os invertebrados, são capazes de ver imagens nítidas. E seu corpo mole e sem ossos facilita a tarefa de entrar e sair rapidamente de espaços mínimos.

Tamanhos e cores

Os polvos pertencem à classe dos cefalópodes. São, portanto, primos das lulas. Atualmente são conhecidas cerca de 900 espécies descritas nesta classe, desde as que possuem apenas alguns centímetros de comprimento até as maiores, que podem chegar a alguns metros. O maior polvo é o polvo-gigante-do-pacífico; seu maior exemplar foi registrado com 9 metros entre as pontas de seus braços e 250 kg. A maioria dos polvos apresenta uma cor amarronzada – pelo menos enquanto estão tranquilinhos no fundo do mar. Isso porque a maioria dos polvos consegue mudar de cor bruscamente, seja para se camuflar de um predador, seja para confundir uma presa.
 
Os polvos possuem corpos moles, que podem ser espremidos em espaços mínimos
 
Sem conchas

Os cefalópodes fazem parte do filo dos moluscos, assim como mariscos e ostras. Só que alguns não apresentam concha, como os polvos, ou apresentam uma concha interna, como as lulas. Entre os cefalópodes, apenas os nautilus apresentam concha externa. Mas como os demais fazem para se proteger de predadores? Simples. Desenvolveram táticas alternativas de defesa. No caso dos polvos, a tática básica é enganar o inimigo e fugir. Para isso, esses animais utilizam um curioso método: quando se sentem acuados, soltam uma tinta escura no ambiente. Enquanto o predador tenta se localizar, enchem-se de água e a expelem com força por um sifão localizado no centro do corpo. Conseguem, dessa maneira, fugir em disparada, como se fossem movidos por um torpedo de propulsão. Espertos, não?

Inteligência surpreendente

Mais do que espertos, os polvos são considerados os invertebrados mais inteligentes. Para se ter ideia, um grupo de polvos permaneceu confinado em um tanque de vidro para pesquisa. No tanque ao lado estavam alguns caranguejos. Certo dia, os pesquisadores notaram que os caranguejos estavam desaparecendo misteriosamente. Mas os polvos continuavam quietinhos em seus lugares. O que estaria acontecendo? À noite, eles se esgueiravam sorrateiramente por uma pequena abertura na tampa do aquário e se arrastavam pela bancada até o tanque dos caranguejos. Entravam, banqueteavam-se e depois voltavam de fininho para sua casa. Noite após noite, até serem descobertos.

Esses animais surpreendem pelo grau de inteligência. Os pesquisadores acreditam que os polvos aprendem por tentativa e erro
 
 
Tentativa e erro

Os polvos são capazes de resolver problemas pelo velho método da tentativa e erro. E uma vez resolvido o problema, eles memorizam a solução e resolvem situações similares da mesma maneira. Em 1992, uma equipe de cientistas italianos fez a seguinte experiência: um grupo de polvos foi treinado para escolher sempre bolas vermelhas, quando estas lhes eram oferecidas juntamente com bolas brancas. Depois, um segundo grupo de polvos, ainda sem treinamento, foi colocado em um tanque ao lado dos polvos treinados. Os dois tanques eram transparentes, e os polvos do segundo grupo podiam observar os do primeiro. Quando o segundo grupo foi levado a treinamento, a maioria já sabia que devia escolher a bola vermelha para receber a recompensa. Haviam aprendido unicamente pela observação! Esse resultado foi visto como surpreendente porque o aprendizado pela observação é considerado o primeiro passo para o pensamento por meio de conceitos.


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