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Em busca de comida

O número de casos de ataques de tubarão atualmente é pequeno. Ataques muito frequentes em algumas regiões podem indicar perda de habitat ou de alimento por algumas espécies
 
 
Números relativos

Se levarmos em consideração o número de banhistas, surfistas, pescadores e mergulhadores que todos os dias frequentam os mares, em todas as partes do mundo, as estatísticas de ataques de tubarões são quase insignificantes. Picadas de abelhas e de serpentes, por exemplo, causam muito mais mortes. O Museu de História Natural da Flórida, nos Estados Unidos, coordena o Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões. Os locais de maior registro de ataques são Austrália, Estados Unidos, África do Sul e México, e os números – computados desde o ano de 1580 – ainda não ultrapassaram 2.500 mordidas. Dessas, 536 ocorreram na década de 1990. E de 1998 a 2000, os acidentes pularam de 54 para 79.

Opa, mas o que é que está acontecendo?

Por que o tubarão ataca?

O tubarão-baleia é uma espécie totalmente inofensiva para o ser humano
Pode parecer estranho, mas o aumento na frequência dos ataques de tubarões a seres humanos é causado pela ação do próprio homem. Como assim? A pesca marítima desenfreada vem dizimando populações de peixes que são, por assim dizer, pratos principais na mesa dos tubarões mais ferozes. Na falta de peixe, eles estão apelando para outros petiscos... por exemplo, pessoas. Os homens não são presa natural de tubarões, mas, ao depauperar a fauna marinha, eles terão que enfrentar animais com dificuldade de arranjar alimento.
 
Ops, foi engano!
 
Antes mesmo desses "problemas alimentares" se tornarem comuns, vez por outra os tubarões se enganam e atacam uma pessoa. É isso mesmo: eles se enganam. Pode parecer incrível – ou até engraçado, não fosse trágico – mas, para um tubarão, uma pessoa deitada em uma prancha de surfe, com braços e pernas pendurados n'água, fica muito parecida com uma foca ou uma tartaruga-marinha – presas muito apreciadas, por sinal. Aí, o resultado do ataque vai depender da espécie de tubarão: os tubarões-brancos, ao perceberem que cravaram os dentes em algo que não faz parte do cardápio, soltam a presa rapidamente. Já os tubarões-tigres e os cabeças-chatas são adeptos da teoria de que "o que não mata engorda". Apesar de não apreciarem muito o gosto da carne humana, já que estão com os dentes por lá terminam de morder até arrancar pedaço.                                          

O tubarão-martelo vai à praia para procriar. Alimenta-se de mamíferos marinhos
 
Enquanto isso, no Brasil...

O litoral de Pernambuco é o recordista em ataques no Brasil. Só na cidade de Recife foram mais de 50 nos últimos anos; destes, mais de 10 foram fatais, em especial nas praias de Boa Viagem, Piedade, Candeias e Paiva. A maioria dos ataques ocorreu nas épocas de lua cheia e lua nova, quando as marés estão mais altas e as ondas são maiores. Para os cientistas, o aumento no número de ataques é resultado direto da construção do porto de Suape, no Sul da cidade, em 1992. Por causa do porto que foi construído em uma região que era utilizada pelos tubarões como berçário, as fêmeas do tubarão-cabeça-chata foram obrigadas a se mudar para o estuário mais próximo, para terem suas crias. Esse estuário desemboca bem nas praias da região metropolitana, onde ocorreram os ataques. Resultado disso tudo: desde 1995, o surfe está proibido nas praias metropolitanas do Recife.


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