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Distribuição da música folclórica


As danças folclóricas brasileiras e os gêneros musicais que as acompanham ocorrem praticamente em todo o território brasileiro. No entanto, para facilitar a localização dessas manifestações culturais, o historiador Câmara Cascudo, em seu livro Dicionário do folclore brasileiro, divide as atividades musicais por área de predominância.

Área do boi-bumbá

O boi-bumbá ocorre durante as festas de São João no Amazonas e Pará. O boi feito de pau e pano é conduzido por dois personagens – Pai Francisco e Mãe Catirina – e acompanhado por rabecas, espécie de violinos populares, e cavaquinhos. Nos arredores de Belém também acontece o carimbó, outra dança da região que é acompanhada de palmas e sapateados.

Área do samba

O samba ocorre na zona agrícola da Bahia e nos estados do Sudeste. O gênero reúne várias danças e é caracterizado pelo uso de instrumentos de percussão. O jongo, dança de roda, e o candomblé também são comuns nessa área. Nos jongos do interior paulista é comum o uso de atabaques menores chamados condongueiros.

Área da moda de viola

A moda de viola caracteriza-se pela constância do canto, pelo emprego de duas vozes, pela frouxidão do ritmo musical e pelo uso da viola. Observa-se no >Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, que a palavra 'moda' é de origem portuguesa, significando também canto, melodia ou música. Principalmente no Brasil a moda de viola apresenta a significação de um tipo de canção rural. Nota-se que na região centro-oeste e sudeste, as modas de viola são previamente escritas e decoradas, e no Nordeste, na maioria das vezes os cantadores cantam de improviso. Há basicamente três temas usados nas modas de viola:

  • a saga dos boiadeiros e lavradores

  • o anedotário caipira e as histórias trágicas de amor e morte

A melodia na moda de viola é solta, lembrando assim uma poesia falada com acompanhamento musical. Descrevem-se, na maioria das vezes, costumes caipiras, sátiras de costumes e histórias de animais. Raramente verifica-se a moda-de-patacoada, que não tem qualquer ligação com a realidade vivida pelas pessoas, algo bem surreal.

Área do fandango

Chama-se fandango uma manifestação cultural popular que reúne dança e música, apresentando regras estéticas bem definidas. Segundo o dicionário de termos e expressões da música, fandango pode ser considerado também uma “dança em compasso ternário ou binário composto caracterizada por ritmos enérgicos e súbitas paradas, é popular em regiões da Espanha”. Em cada localidade existe uma característica específica para o fandango, criando-se assim uma realidade artística rica e variada. No Brasil, é praticado em Iguape e Cananeia, no litoral sul de São Paulo e no litoral do Paraná; nestes locais estão aparecendo novos grupos de fandango. Este gênero musical de forte ocorrência no litoral sul do país vem das velhas danças sapateadas e palmeadas.

Câmara Cascudo diz que o termo fandango designa, no Brasil, o auto marítimo do ciclo Natalino, encontrado em alguns estados nordestinos, e o baile sulista, encontrado no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.

Lembrando-se de que no interior de São Paulo, na região de Sorocaba, há ainda uma variante de dança sapateada, herdada dos tropeiros e semelhante à catira ou cateretê. A dança chegou ao Brasil durante o século 17 e foi incorporada culturalmente pelos colonizadores europeus e seus descendentes, gerando o chamado 'fandango caiçara', o qual é dançado em assoalho de madeira, sempre em pares e com sapateado, ao som da viola, rabeca, pandeiro, cavaquinho, banjo e vozes.


“O grupo também está presente para cozinhar, fazer as bebidas e na construção dos instrumentos musicais. Como a maioria das manifestações populares, o fandango envolve uma parcela da comunidade.” Pesquisadora Joseane Souza

Área da cantoria

Essa é uma manifestação cultural observada principalmente no sertão nordestino, na qual se usam a rabeca e a viola para acompanhar louvações improvisadas e desafios poéticos musicais. Tem-se como registro que a  primeira cantoria, realizada com dois cantadores, aconteceu em 1870, na vila de Patos, no estado da Paraíba, com os repentistas Inácio da Catingueira e Romano do Teixeira, na Casa do Mercado. O desafio durou uma semana e os cantadores descansavam durante o dia, organizando as ideias, sem contato entre si, para à noite participarem da cantoria. Nesses eventos sempre há um público que acompanha passo a passo as respostas improvisadas e poéticas dos cantadores. Muitas vezes há dinheiro envolvido, e o cantador que conseguir ser mais criativo, dando respostas interessantes, leva toda a soma de valores. O vencido simplesmente coloca a viola dentro do saco e vai embora, como gesto de demonstrar à plateia que aceitou a derrota. Existem vários tipos de cantorias: cantoria convencional, a cantoria de compadre, a cantoria de pé-de-parede, a cantoria especial e, mais recentemente, fala-se na cantoria didática.

Área do coco

Essa é uma dança ritmada do litoral nordestino baseada na percussão de palmas e no canto coral curto. Antigamente, era dançada nos salões da sociedade em Alagoas e Paraíba. São utilizados no coco instrumentos de percussão – cuícas, pandeiros e ganzás. O coco apresenta uma forma básica em que os participantes formam filas ou rodas, e depois iniciam o sapateado característico, respondem o coro e batendo palmas marcando o ritmo da música. Muito comum também é a presença do 'cantadô', que é considerado mestre. Na maioria das vezes, a festa tem início quando o mestre 'puxa' os cantos, que tanto podem ser de improviso ou já conhecidos pelos demais.

Área dos autos

Auto é o nome dado aos enredos populares que tratam de assuntos religiosos ou profanos. Alagoas e Sergipe são os núcleos principais dos folguedos populares (fandangos e cheganças); dos congos e quilombos, de origem africana; dos caboclinhos e caiapós, manifestações de temática indígena; e do bumba-meu-boi de formação cabocla. O bumba-meu-boi do Nordeste vai às ruas durante as festas de Natal e Ano-novo.

Área da modinha

Muito comum nos centros urbanos, esse ritmo compreende música instrumental, como choros. São utilizados instrumentos de sopro (flauta ou clarinete), cavaquinhos e violões. O choro foi um dos ritmos que mais contribuíram para a fixação da música carioca. Conjuntos de flauta, bandolim, clarinete, violão, cavaquinho, pistão e trombone marcaram a boemia carioca nos últimos anos do século 19 e primeira década do século 20. Este área musical denominada  modinha passou a ser cultivada nos salões por compositores eruditos, desde que o carioca Domingos Caldas Barbosa a divulgou em Portugal em meados do século 18. Por essa razão, pesquisadores como Mário de Andrade chegaram a admitir que a modinha fosse originária da aristocracia e só depois teria se voltado para o gosto popular.

Para saber mais

Livros:

Dicionário do folclore brasileiro, de Câmara Cascudo. Editora Ediouro. Trabalho de investigação sobre o folclore brasileiro.

Danças dramáticas do Brasil, de Mário de Andrade. Editora Martins, 1959. Obra de referência que trata da expressividade múltipla do brincante popular.

História social da música popular brasileira, de José Ramos Tinhorão. Lisboa: Caminho. O livro traz fatos documentados em jornais e livros do Brasil Colônia.

Contribuição Bantu na Música Popular Brasileira, de Kazadi wa Mukuna. Editora Global. Identifica os instrumentos da nossa música popular que foram trazidos da África.

Os sons dos negros no Brasil, de José Ramos Tinhorão. Art. Informações sobre as etnias africanas que vieram para o Brasil.

Na internet:

Fundação Joaquim Nabuco. Estudos enfocando a realidade.


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