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Batuque nas noites de Natal




José de Alencar
José de Alencar – O tronco do ipê

José de Alencar foi um pesquisador de elementos nacionais, utilizando vários deles em seus romances. Graças ao interesse pelo tema, sua obra traz um vasto panorama do nosso folclore. No livro O tronco do ipê, por exemplo, o capítulo 'Batuque' oferece um quadro detalhado de alguns usos e costumes da época.

Batuque: início da festa

As festas de Natal sempre tiveram enorme importância na vida de todas as classes sociais e, de acordo com o relato de Alencar, muitos fazendeiros do século 19 permitiam aos negros comemorarem a data ao modo deles. Alguns senhores costumavam honrar seus escravos assistindo ao 'batuque' que, na verdade, era apenas a abertura da festa.
 

Comemoração na senzala
 
Da casa-grande à senzala, senhores e escravos seguiam por entre archotes, precedidos pela banda de música, formando uma espécie de rancho. Pelo caminho percorrido, já se ouvia o som do jongo e dos pandeiros vindo da senzala. Nessas comemorações, os escravizados trajavam roupas de festas, fantasias orientais ou europeias. Após saudarem a chegada dos brancos com grande algazarra, os negros davam início ao samba, ainda sem grande entusiasmo.

Quando o senhor e sua comitiva se retiravam, era o momento de dar vazão total à alegria. Pelo menos é assim que Alencar compõe a cena, rica em elementos genuínos, com a menção das palavras rancho, batuque, jongo e samba. Elas apontam manifestações típicas do folclore ligado às tradições europeias e africanas. 
 

Batendo palmas e pés...   
 
Rancho
 
A denominação veio de Portugal. No Norte do Brasil, a palavra era empregada para indicar agasalho, hospedagem, pousada. Da Bahia para o Sul, denominava um grupo de festeiros das solenidades populares do Natal. Mais para o centro do país, esse grupo de festeiros ficou conhecido com o nome de Reisado.

Primando pela variedade de roupas vistosas, o rancho dividia-se em duas categorias: uma séria e aristocrata, e a outra mais divertida e democrática. No Rio de Janeiro, durante o carnaval, o rancho tornou-se um grupo de foliões, com instrumentos de corda e sopro, cantando versos alusivos ao grupo.
   
Batuque 
   
O batuque é uma dança de origem africana  caracterizada por requebros, palmas e sapateados, na maioria das vezes ao som  de cantigas, acompanhadas por tambor. A batucada é  marcada por forte percussão. Os portugueses passaram a utilizar o termo para indicar qualquer dança dos negros. Eles não se referiam a uma coreografia típica, mas à dança em geral, ao ajuntamento para o baile.

Jongo



Também conhecida como caxambu, tambu ou tambor, é uma expressão poética, musical e coreográfica ligada ao canto e à percussão, praticada por algumas comunidades compostas por descendentes de africanos. Entre os pares pode haver disputa quanto à dança. O jongo tornou-se característico das regiões do café e a coreografia diferenciava-se em cada localidade.

De modo geral, não era dançado à noite e, de sua origem africana, manteve a fama dada a seus bailadores, que eram considerados sabedores de segredos e de poderes mágicos. Na apresentação do jongo é formada uma roda de dançarinos, e no centro fica um solista, chamado de jongueiro, que 'puxa' os cantos, e estes são respondidos em coro pelos participantes da festa.

Samba
 
A origem mais aceita da palavra samba está ligada à evolução do termo 'semba', que significa umbigo em quimbundo (língua falada em Angola). Alguns pesquisadores dizem que inicialmente o samba era apenas uma dança. No Brasil, referia-se ao baile popular, urbano ou rural. Em São Paulo, a dança passou para o salão; nas zonas rurais deu origem ao samba-de-roda, ao campineiro e ao samba-de-lenço.

O nome samba teve vulgarização lenta no país e só cresceu a partir de 1916, quando foi citado na letra de "Pelo telefone". Essa composição – primeiro samba gravado na história da música brasileira – foi escrita por Ernesto de Sousa, o Donga, no Rio de Janeiro. "Pelo telefone" também foi a primeira do gênero que conseguiu ser impressa.


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