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Uma rapsódia de temas



Mário de Andrade – Macunaíma

Mário de Andrade


Mário de Andrade, referindo-se à sua obra, classificou-a como rapsódia, ou seja, assim como as rapsódias musicais fazem colagem de elementos retirados dos cantos populares tradicionais, Macunaíma é composta por fragmentos da cultura popular e de elementos do folclore.

Também a linguagem apresenta características folclóricas, expressas em ditos populares como "espinho que pinica, de pequeno já traz ponta", nos quais o povo se vale de sua experiência do dia a dia para retratar em frases de efeito as situações que observa.

 
 
Choque cultural
 
Macunaíma é índio, negro e branco, uma síntese do caráter do brasileiro e de sua cultura. Mário de Andrade faz um profundo estudo do folclore nacional para abordar o choque do índio amazônico com a tradição e a cultura europeia de São Paulo. Pela narrativa simbólica vão desfilando personagens e elementos de nossas raízes culturais como Ci, Cobra Preta, muiraquitã, Negrinho do pastoreio e Uiara, entre outros.

 
Nas águas e nas matas
 
Ci
 
Ci significa 'a Mãe' e aparece em muitas terminações: Iaci, Coaraci. Ainda é usado em muitos lugares, sempre se referindo a alguma das mães que, conforme a crença indígena, é a origem de algo e que por isso rege o destino.
  

Muiraquitã
 
Pedra de diversos formatos à qual se atribuía a força de realizar sonhos. É preciso fazer distinção entre muiraquitã, amuleto de pau, e muiraquitá, pedra de chefe, uma espécie de insígnia de poder. Da junção desses dois elementos, surgiu a 'muiraquitã' de nefrite, um silicato natural, uma espécie de jade de cor verde, com poderes de talismã. Artefato originário do baixo Amazonas, segundo uma tradição ainda viva, seria o presente que as amazonas davam aos homens como lembrança de sua visita.

Uma vez por ano, as guerreiras se aproximavam dos jovens índios de tribos vizinhas que, devido ao fato, eram chamados de 'esposos de uma noite'. Quando partiam, as amazonas ofereciam o amuleto, que dava poderes ao guerreiro, de acordo com o animal desenhado. O rapaz que o recebia acreditava tornar-se forte como a onça bravia, poderoso como a águia e assim por diante...
  

Uiara

Ser da mitologia indígena que cuida da sorte dos peixes. Em alguns relatos, pode transformar-se no famoso boto-cor-de-rosa, o golfinho amazônico que seduz as moças ribeirinhas.  


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