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A origem da festa

A exata origem do Carnaval é desconhecida. E existem dúvidas sobre a data de sua chegada ao Brasil. Uma coisa é certa: a festa celebra a alegria nos dias que antecedem o início da Quaresma.
 
Quando se pensa na história do Carnaval, a primeira imagem que vem à mente é daquelas festas italianas renascentistas, com homens e mulheres mascarados, bem ao estilo Commedia dell'Arte – tradição que se mantém até hoje em cidades como Veneza. Os historiadores, no entanto, acreditam que a origem da festa seja muito mais antiga, remontando há cerca de 10 mil a.C. O que comemoramos hoje provavelmente é o resquício de festas profanas da Antiguidade, realizadas na época da colheita. No Antigo Egito, aconteciam alegres festejos em devoção a Osíris. Na Grécia, as dionisíacas em louvor a Dionísio – o deus do vinho, chamado Baco pelos romanos – sempre acabavam em bebedeiras, dança e luxúria.


Você sabia?
Uma das prováveis origens da palavra "carnaval" é a expressão carne vale, do dialeto milanês, que significa "adeus à carne", uma referência à Quaresma – os 40 dias de abstinência de carne e contrição que antecedem à Páscoa.

 
Comemoração profana

Na época do Renascimento, tornou-se comum o uso de máscaras ou fantasias completas. Os homens se vestiam de mulher; as mulheres, de homem
Com o advento do cristianismo, a Igreja Católica começou a combater essas manifestações pagãs, sacralizando algumas, como o Natal e o Dia de Todos os Santos. Entre todas, o Carnaval foi uma das poucas a manter suas origens profanas, mas se restringiu aos dias que antecedem o início da Quaresma e ganhou colorido local. Na França medieval, era celebrado com grandes bebedeiras coletivas.

Em outros países da Europa, as comemorações eram animadas por canções que ironizavam os governantes locais. Em cidades italianas como Nápoles, as pessoas acompanhavam grandes cortejos dançando e bebendo. Em Portugal, de onde veio para o Brasil, o Carnaval era sinônimo de entrudo nome dado aos bonecos e bricadeiras de carnaval do século XVI ao XIX, no Brasil.
 
 


A folia chega ao Brasil
O entrudo era considerado pela Igreja Católica uma festa violenta e de mau gosto. Apesar disso, era a diversão favorita de nobres e do povo. O quadro de Debret mostra uma cena da festa, no Rio de Janeiro, em 1823

O primeiro Carnaval brasileiro aconteceu em 1641, quando o governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá Benevides, determinou a organização de uma semana de festejos para comemorar a coroação do rei D. João IV. O povo adorou e a folia se consagrou, inspirada nos tradicionais entrudos portugueses. No início, realizavam-se apenas ingênuas batalhas de água com limão; contudo, no século XVIII, já se atirava de tudo: de urina a ovos podres e tomates estragados. Para embalar ainda mais a multidão, tocavam-se canções portuguesas e dançava-se a polca. E o samba? Só apareceria muito tempo mais tarde.

Fique ligado!
O entrudo – palavra de origem latina que significa "entrada" – acontecia em quase todas as cidades portuguesas, entre o Sábado Gordo e a Quarta-Feira de Cinzas. Era uma verdadeira batalha em que as armas eram ovos, lama, baldes de água, farinha, milho ou feijão. Em vários bairros aconteciam lutas de vassouras e colheres de pau – uma bagunça na qual se divertiam nobres e populares.



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