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A pré-história no Brasil

O entrudo foi popular no Brasil durante todo o século XIX, tendo entre seus adeptos vários membros da família imperial. Com o tempo, no entanto, novas formas de diversão foram criadas – vistas pela elite com melhores olhos –, entre elas os bailes e os desfiles das grandes sociedades carnavalescas.
 
O Rio vira Veneza
 
Em 22 de janeiro de 1840, o Hotel Itália, do Rio de Janeiro, organizou o primeiro baile de máscaras de que se tem notícia. Inspirado em eventos semelhantes que aconteciam em cidades europeias, o baile foi um sucesso tão grande que teve de ser repetido em 20 de fevereiro, já durante o Carnaval. A partir daí, virou tradição. Todos os anos dezenas de bailes eram promovidos, chegando a reunir mais de mil casais fantasiados. E a animação era tão grande que, em 1846, o inspetor do Teatro São Januário interrompeu o baile às 3 da manhã, preocupado com a saúde dos foliões, que não paravam de dançar desde a tarde do dia anterior. Apesar da alegria que contagiava todas as classes sociais, os bailes não eram tão democráticos quanto os antigos entrudos: nos bailes mais famosos, o preço dos ingressos tornava o evento restrito às altas camadas sociais.
 
Você sabia?
Nos bailes carnavalescos do século XIX, as mulheres das famílias mais tradicionais eram obrigadas a apreciar o movimento dos foliões do alto dos camarotes. A dança era reservada a prostitutas e a moças consideradas despudoradas.
 
Sociedades carnavalescas

O luxo e a criatividade são marcas históricas do Carnaval brasileiro. O carro alegórico dos Argonautas, que desfilou no Rio de Janeiro no início do século XX, é um exemplo disso
Se os salões eram tomados pelos bailes de máscaras, as ruas continuavam palco do entrudo - pelo menos até o final do século XIX, quando o Rio começou a se modernizar e essas tradições passaram a ser vistas como sinal de atraso. E em pouco tempo a brincadeira foi substituída pelos desfiles de carros alegóricos das grandes sociedades carnavalescas. Essas instituições surgiram na década de 1850 e reuniam os maiores nomes da elite brasileira. Em 14 de janeiro de 1855, o jornal Correio da Manhã publicava uma crônica de José de Alencar descrevendo uma sociedade que, criada no ano anterior, já contava com 80 sócios "de boa companhia" e pretendiam desfilar no domingo de Carnaval com uma banda de música, flores, máscaras e roupas elegantes – foi a grande atração do Carnaval daquele ano.

Em todos os Carnavais da segunda metade do século XIX, as sociedades tomavam as ruas do centro do Rio, esbanjando luxo e criatividade em seus carros alegóricos, considerados por alguns historiadores os precursores dos atuais carros das Escolas de Samba. Além da alegria nos dias do Carnaval, as sociedades também desempenhavam importante papel político e filantrópico. Arrecadavam dinheiro para comprar escravos, libertá-los e presenteá-los ao povo em seus desfiles, como exemplo para incentivar o movimento abolicionista. O engajamento era tão grande que, em 1864, todo o dinheiro arrecadado pela Sociedade Carnavalesca Tenentes do Diabo foi empregado na compra de 12 escravos, nada sobrando para realizar o desfile.

Fique ligado!
As sociedades carnavalescas também se engajaram na luta republicana, arrecadaram dinheiro para vítimas de várias catástrofes e defenderam o direito das mulheres ao voto. Entre as várias sociedades criadas na segunda metade do século XIX, três existem até hoje: o Congresso dos Fenianos, o Clube dos Democráticos e os Tenentes do Diabo.


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