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É capoeira, sim sinhô!

Misto de dança e luta, a capoeira surgiu com os escravos africanos vindos de Angola. É praticada em roda, ao som de instrumentos como o berimbau, pandeiro e caxixi, além das palmas e do canto dos participantes.

Roda de capoeira: assim os escravos enganavam os senhores de engenho e praticavam luta disfarçada de dança


As origens

Em Angola, existia um ritual chamado 'jogo da zebra', no qual se lutava com cabeçadas e pontapés. No Brasil, toda manifestação considerada 'violenta' por parte dos negros foi reprimida e proibida. Por isso, para disfarçar os escravos transformaram sua luta em dança, introduzindo instrumentos musicais e movimentos cadenciados. Logo descobriram outra vantagem: além de divertimento, a capoeira podia ser usada como defesa pessoal em caso de necessidade.

Mas, afinal, o que quer dizer 'capoeira'?
Quando um escravo negro fugia, os outros diziam: "Foi para a capoeira, caiu na capoeira...". Capoeira significava mata. Aos poucos, a palavra também passou a designar a luta que era disfarçada em dança.


Perseguição
No início do século 19, os capoeiristas do Rio de Janeiro eram perseguidos pelo major Vidigal, temido chefe de polícia. O Código Penal de 1890, artigo 402, estabelecia a prática da capoeira como ilegal e previa castigos corporais e desterro para quem praticasse capoeira. Alguns capoeiristas baianos foram recrutados à força como 'voluntários da pátria', para lutar na Guerra do Paraguai. Já na Bahia a situação era mais amena. A capoeira era praticada em locais abertos, nos subúrbios de Salvador e em algumas cidades como Santo Amaro, Cachoeira e Nazaré das Farinhas.
Roupa limpa e chapéu na cabeça
Ao contrário do que acontece em outros estilos de luta, na capoeira o mais importante não é a força, mas a destreza. Os capoeiristas costumam dizer que o bom jogador não suja a roupa – impecavelmente branca –, nem perde o chapéu.


Sobrevivência

A capoeira deixou de ser considerada passatempo de vagabundos e marginais e passou a ser mais valorizada apenas na década de 1930, quando um grupo comandado por Mestre Bimba apresentou-se no Palácio do Governo. O convite foi feito pelo próprio governador da Bahia, Juracy Magalhães, e contou com a presença do presidente Getúlio Vargas.

Grandes nomes

Na Bahia e no Rio de Janeiro existiram grandes mestres da capoeira
A história da capoeira tem mestres que são reverenciados até hoje. Mas o mais importante deles viveu na cidade de Santo Amaro da Purificação, na Bahia. Besouro Cordão de Ouro – também conhecido como Mangangá (gênero de besouro venenoso) – era considerado invencível. Outros ases da capoeira foram o pescador Samuel Querido de Deus, o estivador More, e Mestre Pastinha (discípulo de Mangangá), todos baianos. Também merecem destaque João Pequeno, Tio Benedito, Tio Alípio, Canário Pardo, Bento Certeiro, Pedro Porreta e Mestre Bimba. No Rio de Janeiro, o destaque fica por conta de Mestre Joel.

Besouro - da capoeira, nasce um herói
O longa-metragem nacional Besouro, dirigido por João Daniel Tikhomiroff, lançado em 2009, conta a história épica do maior capoeira de todos os tempos. Inspirado em fatos reais, foi filmado no recôncavo baiano.

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A capoeira de saia

Quem acha que os grandes capoeiristas da história foram todos homem engana-se. Algumas mulheres também ficaram famosas na capoeira baiana, entre elas Palmeirona, Júlia Fogareira, Maria Pernambucana, Maria Cachoeira, Maria Pé no Mato, Maria Homem e Odília.

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