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Tradições regionais

O pau de Santo Antônio 

 
Há pelo menos 100 anos é assim. No município de Barbalha, no sul do Ceará, a 550 quilômetros de Fortaleza, é tradição cortar um enorme tronco de aroeira – com cerca de 22 metros e duas toneladas – para o ritual de abertura da festa de Santo Antônio. A árvore recebe a bênção do vigário ainda na mata, na serra do Araripe, e depois é levada até a sede da igreja, nos ombros dos devotos, em um cortejo que reúne milhares de pessoas. São 6 quilômetros até a praça da igreja matriz e, durante o percurso, o 'capitão do pau' orienta os carregadores. Na frente, uma carroça leva bebida, que refresca os mais cansados. Mas nada de água: para matar a sede, apenas a 'cachaça do vigário'. No fim do percurso, o tronco é fincado na frente da igreja e transformado em mastro para a bandeira de Santo Antônio, padroeiro da cidade. Todos os anos, os moradores tentam superar o tamanho e o peso do tronco da árvore. Antes do ritual, o 'pau de Santo Antônio', como é popularmente chamado, permanece 15 dias na 'cama'. Ou seja, sob os efeitos do Sol a árvore desidrata e fica mais leve.

Mesmo assim, os acidentes entre os que disputam transportar a madeira até a matriz são frequentes. Na crendice popular, quem tocar no tronco da aroeira terá sorte no amor. Se for solteiro ou solteira, casa. Quem já encontrou seu par, terá companhia garantida. Pelo caminho, devotos mais aflitos tentam tirar lascas do tronco para um chá que, acredita-se, tem efeitos milagrosos. A fama de milagreiro do padroeiro atrai católicos de todo o Ceará e também de estados vizinhos. Já em Fortaleza, Santo Antônio é tido como o Santo dos pobres. Assim, no dia 13 de junho, a tradição manda distribuir pães em bairros da periferia e para as famílias sem teto. Fiéis levam centenas de pães no porta-malas do carro e fazem a distribuição nas ruas e nas praças.
 
A festa no Nordeste
 
É de lei. São os forrós tradicionais que sustentam uma noite de São João. Depois da quadrilha, hora de cair no ritmo nordestino. Ao som de sanfona, reco-reco, triângulo e zabumba, o arrasta-pé vai até de manhã. A palavra 'forró' é a abreviatura de forrobodó e forrobodança, de uso comum na imprensa pernambucana do século 19, para designar o local onde aconteciam os bailes populares. Com as grandes migrações para São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, os nordestinos levaram esse ritmo para o resto do país. Na década de 1970, surgiram as chamadas casas de forró, frequentadas, em sua maioria, por migrantes saudosos de sua terra natal. Nessa época do ano, no entanto, o ritmo volta com força nos grandes festivais de quadrilha.
 
Você sabia?
A cidade de Caruaru (PE) construiu a 'Vila do Forró': uma réplica de cidade típica do sertão nordestino com todos os seus habitantes. Lá é feito o "maior cuscuz do mundo", registrado no Guiness Book: 700 quilos de massa, 3,3 metros de altura e 1,5 de diâmetro. Já Campina Grande (PB) afirma ter "o maior São João do mundo" e recebe visitantes de todo o Brasil.
 
 
Os costumes sulistas
 
No Rio Grande do Sul as festas juninas preservam os trajes típicos do estado. Em diversas regiões, as particularidades se mantêm no lugar do chapéu de palha e da roupa remendada comuns no interior de São Paulo; é o caso dos municípios de Rio Pardo, Capivari, Taquari e Santo Antônio da Patrulha. Uma das tradições mais fortes é andar – descalço – sobre as brasas da fogueira. O ritmo é o vanerão, que faz sacolejar bombachas e os vestidos rodados das moças (chamadas 'prendas').


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