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Luís da Câmara Cascudo (1898-1986)

Luís da Câmara Cascudo (1898-1986)


 
Nascido no Rio Grande do Norte, Luís da Câmara Cascudo  é considerado uma das maiores autoridades do folclore nacional. Estudou medicina na Bahia e no Rio de Janeiro e acabou se formando em Direito pela faculdade do Recife. Deu aulas em colégios e na faculdade de Direito de Natal - também foi deputado estadual e jornalista. Pesquisou lendas, mitos, comidas, bebidas, superstições, folguedos, danças, brincadeiras, rituais, festas, enfim, tudo o que pode ser considerado folclore. Seus diversos livros são de leitura obrigatória para quem pesquisa o assunto.

É autor do Dicionário de folclore brasileiro. O primeiro trabalho, publicado em 1939, foi Vaqueiros e cantadores, título que reúne poesia sertaneja sobre animais, e literatura de cordel. Uma de suas mais importantes obras é a Antologia do folclore brasileiro, que trata do folclore e da etnografia do Brasil por meio da reunião de cem textos de autores brasileiros e estrangeiros. Cascudo explica
seu objetivo no prefácio da obra, que é o de apresentar os aspectos mais vivos do povo brasileiro ao longo de quatro séculos.

'Causos' de vaqueiros e pescadores

Sua paixão pelo folclore nasceu quando ainda era menino, ouvindo 'causos', aqui e ali, de vaqueiros e cantadores dos sertões (Rio Grande do Norte e Paraíba) e histórias do pai, da mãe, de pescadores, de rendeiras e de vizinhos. As histórias e o folclore eram o seu maior interesse intelectual, e acabaram norteando sua vida. Fazia pesquisas de campo sobre as tradições, hábitos, crendices e superstições nas áreas rurais e urbanas; para isso, não poupava esforços: frequentava terreiros de candomblé, deslocava-se até as praias e portos de jangadeiros e viajava sertão adentro. Seus inúmeros livros nasceram desse trabalho de campo e da pesquisa intensa sobre os mais diversos temas. Uma história curiosa: quando Câmara Cascudo era professor do Colégio Ateneu, em Natal, um colega chegou a requisitar a demissão de Cascudo ao governador Juvenal Lamartine. Afinal, não era admissível que o professor de uma instituição de ensino tão respeitada se dedicasse a estudar lobisomens e outras esquisitices, como coisas ligadas a bruxarias. No entanto, ele permaneceu no cargo.

Pesquisas de campo

Câmara Cascudo deixou Natal poucas vezes; viajou principalmente para fazer pesquisas de campo. Certa vez foi para a África, nos países de colonização portuguesa, estudar os costumes alimentares regionais. Buscava informações sobre a contribuição africana na alimentação brasileira, que resultou no livro História da alimentação no Brasil. Também escreveu Made in África, sobre costumes da África negra portuguesa.
Seu escritório, instalado em casa, era um verdadeiro templo, repleto dos mais variados objetos: livros, esculturas, pinturas, fotografias, amuletos, imagens de santos, fósseis, moedas, presentes enviados por amigos e admiradores do mundo inteiro. Uma placa avisava quem se aproximava: "O professor Cascudo não recebe pela manhã".
Entre os livros de Câmara Cascudo, destacam-se ainda: Geografia dos mitos brasileiros, Civilização e cultura, Literatura oral no Brasil, Locuções tradicionais do Brasil, Contos tradicionais do Brasil, Prelúdio da cachaça e História dos nossos gestos.



 


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