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Monteiro Lobato (1882-1948)

Monteiro Lobato
Maior escritor brasileiro de literatura infantojuvenil de todos os tempos, Monteiro Lobato foi um importante divulgador do folclore nacional. Várias gerações de brasileiros acompanharam as aventuras dos personagens Narizinho, Pedrinho e Emília no Sítio do Pica-pau Amarelo. Ao todo, ele lançou 23 livros que tinham como cenário esse lugar bem brasileiro, com pomar, construções de pau a pique, móveis antigos e mastro de São João.


Bonecos de espiga e de pano

Lobato passou a infância na cidade de Taubaté, interior de São Paulo, cidade onde nasceu em 1882. Juca, como era apelidado, era um menino quieto, pouco arteiro. Gostava de fazer bonecos com espigas de milho, chuchus, mamões verdes, panos etc. Na Fazenda Santa Maria, de propriedade de sua família, brincava e imaginava aventuras observando a natureza. Na casa do avô, o Visconde de Tremembé, deslumbrava-se com a biblioteca, uma sala encantada, de onde só saía à força. Essa época de sua vida inspirou vários personagens, entre eles Tia Nastácia. A personagem foi baseada nas negras velhas sabidas, especialmente uma chamada Espéria, que era ex-escrava de seu avô. Espéria era "um dicionário de histórias folclóricas".   
  
Inventário de sacis
 
Lobato era considerado especialista em sacis. Em 1918, publicou no jornal O Estado de S.Paulo uma pesquisa de opinião sobre essa figura folclórica, pedindo aos leitores que escrevessem contando suas experiências com o saci-pererê. Recebeu centenas de cartas, principalmente de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, com os mais variados e curiosos depoimentos de gente que jurava ter tido contato direto com o negrinho travesso. Alguns diziam que o saci tinha o tamanho de um menino de 11 anos; outros, que era banguela, tinha rabo, barba de bode e unhas de tamanduá. Isso serviu de base para o lançamento do livro O saci-pererê: resultado de um inquérito, publicado no mesmo ano. Anos depois, lançaria O saci, uma história inteiramente folclórica, na qual o garoto Pedrinho cisma em apanhar um saci. Com a ajuda de Tio Barnabé, um negro de 80 anos que conhece tudo sobre o assunto, consegue capturar um, tirando-lhe a carapuça e prendendo-o numa garrafa. Então aprende  tudo sobre o assunto, pois o Saci o leva para o lugar onde mora a 'sacizada', num dos pontos mais escondidos da floresta.   
   
Contos brasileiros
 
O escritor se queixava constantemente da ausência de fábulas nacionais; por isso, resolveu criá-las. Foi considerado, ainda em vida, o Andersen brasileiro. Um de seus livros – Histórias de Tia Nastácia – traz vários contos bem brasileiros, entre eles "O cágado na festa do céu", "A onça e o coelho", "A cumbuca de ouro", "O jabuti e a Caipora" e "O veado e o sapo". Tia Nastácia – cozinheira do sítio que prepara quitutes deliciosos, como mandioca frita, polenta, pamonha, bolo de fubá e quindim – conhece tudo sobre folclore e é a pessoa certa para desvendar ao garoto todos os detalhes sobre o assunto. Em um trecho desse livro, a boneca Emília explica a Pedrinho o significado da palavra folclore: "Dona Benta disse que folk quer dizer gente, povo; e lore quer dizer sabedoria, ciência. Folclore são as coisas que o povo sabe por boca, de um contar para o outro, de pais a filhos – os contos, as histórias, as anedotas, as superstições, as bobagens, a sabedoria popular etc. e tal".


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