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Como evitar a Aids

Falar sobre sexo já foi um tabu, mas hoje é questão de saúde pública. Especialmente quando o assunto é aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) e as formas de preveni-la.
 
Informações difundidas 

Estudantes de escola de São Paulo em manifestação no dia internacional de combate à aids
São vários os motivos para usar camisinha em todas as relações sexuais, mas o maior deles é evitar o contágio pelo vírus da aids. Esse conceito vem se difundindo entre as pessoas graças à maior liberdade em abordar o assunto. Há algumas décadas, falar abertamente sobre sexo era um problema. As pessoas tinham muitas dúvidas e o esclarecimento do assunto era limitado pelo medo e pela vergonha. Depois da década de 1960, por sua vez, o comportamento sexual sofreu uma mudança radical e, com a libertação dos tabus, apareceram as doenças.

Atualmente, sexo é assunto discutido nas escolas, nos meios de comunicação e em livros, de modo que inúmeras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) podem ser mais facilmente evitadas e tratadas. Apesar disso, muita gente ainda hesita na hora de usar preservativo ou utilizar agulhas descartáveis – no caso de usuários de drogas ou até de tatuadores –, fazendo com que o número de casos de aids continue alarmante.

Problema mundial

A partir da década de 1980,
a aids transformou-se em uma doença de grandes proporções, atingindo todos os continentes. Porém, o maior número de pessoas infectadas se concentra na África, provavelmente pelo fato ainda não comprovado de a aids ter surgido lá. A origem desta síndrome ainda é desconhecida; no entanto, foram identificados vários retrovírus parecidos com o HIV em macacos africanos, sugerindo que o vírus teve, em algum momento, uma mutação e passou a parasitar humanos. Desde então, assiste-se à sua propagação de forma crescente e indiscriminada sobre todos os grupos sociais, especialmente nos países pobres. O motivo é a dificuldade de diagnosticar e de medicar todos os infectados, já que o tratamento é caro e nem sempre os infectados aceitam aderir ao uso dos medicamentos, que apresentam vários efeitos colaterais, como enjoos e diarreias.

Embora as formas de contaminação sejam em parte determinadas por características sociais, culturais e econômicas de cada país, do ponto de vista global a principal forma de expansão se dá por meio de relações desprotegidas, tanto nos grupos homossexuais quanto nos heterossexuais. Veja a tabela com a evolução da doença até 2008:


NorteNordesteSudesteSulCentro-OesteTotal
1980-964,14,825,516,912,415,9
19975,25,326,519,914,717,2
19986,06,528,024,313,018,7
19996,76,424,622,311,616,9
20006,06,223,825,213,417,0
20017,36,322,524,713,216,5
20027,87,322,425,915,117,1
20037,98,022,225,316,417,2
200410,77,819,723,116,015,9
20059,37,517,220,513,814,1
20069,16,611,918,611,112,6
20079,96,611,918,611,111,2
200810,25,710,317,89,410,0

Taxa de incidência (por 100.000 hab.)

Fonte: Boletim Epidemiológico: Aids e DST - Ministério da Saúde

Hoje em dia

Atualmente, cerca de 33,4 milhões de pessoas em todo o mundo estão infectadas com o vírus da aids, de acordo com o “Relatório sobre a Epidemia Global de Aids 2009”, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Programa Conjunto da ONU (Organização das Nações Unidas) para HIV/Aids (Unaids).

Esse número representa um crescimento de 400 mil infectados, ou seja, uma alta de 1,2% em relação às 33 milhões de pessoas com o vírus em 2007. Por outro lado, mais indivíduos estão vivendo mais tempo com a doença, devido à disponibilidade de medicamentos para o tratamento do HIV, chamados de antirretrovirais.

No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o coeficiente de mortalidade mantém-se estável desde 2000, com cerca de seis mortes por 100 mil habitantes. Em números absolutos, registra-se queda em mortes nos homens e estabilidade nas mulheres.

A distribuição de coquetel contra a Aids no país, elogiada pela ONU, está disponível gratuitamente desde 1996. Atualmente, cerca de 200 mil soropositivos (portadores do vírus HIV) recebem tratamento custeado pelo Estado brasileiro. O gasto com apenas um paciente soropositivo pode chegar até R$1500 por ano.

Aids: o que é?

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, representada pela sigla Sida em português, no entanto mais conhecida pela sigla aids (em inglês: Acquired Immune Deficiency Syndrome), é causada por uma infecção viral que ataca o sistema imunológico e destrói os glóbulos brancos. O agente da Aids deixa o doente sujeito a diversas infecções oportunistas, como de bactérias e vírus da gripe que se aproveitam da baixa do sistema imunológico, ou até a tumores cancerosos.

Os primeiros casos desta doença foram diagnosticados na década de 1970. O vírus da imunodeficiência adquirida (HIV1, o mais comum, e o HIV2, mais raro, com maior incidência no oeste africano) pode ser transmitido por via sexual, sanguínea ou, ainda, materno-filial durante a gravidez ou a lactação (transmissão vertical). O vírus HIV2
é mais resistente aos antirretrovirais mais utilizados, porém apresenta uma menor taxa de replicação. Portanto, a infecção é mais lenta e de transmissão mais difícil.

O HIV se reproduz, principalmente, parasitando as células que apresentam na membrana uma proteína conhecida como CD4. Esta proteína encontra-se principalmente nos linfócitos T4, glóbulos brancos que alertam o sistema imunológico quando algo está fora do normal. Depois de se multiplicarem, os novos vírus destroem o linfócito e partem para infectar outros, debilitando o sistema imunológico.

O termo aids é aplicado às principais formas desta deficiência, que se caracteriza por uma redução na taxa de linfócitos abaixo dos 200 por milímetro cúbico – a taxa normal se situa entre 800 e 1.000. Por esse motivo, muitos soropositivos não são considerados doentes.

Medicamentos

O AZT, primeiro medicamento contra o HIV, comercializado desde 1987, e especialmente a triterapia antirretroviral (mais conhecida como coquetel, que contém o AZT e mais dois medicamentos: o Epivir, conhecido como 3TC e o Efavirenz), difundida a partir de 1996, inauguraram uma nova etapa na luta contra o vírus. Esses remédios agem em diferentes etapas para tentar evitar que o vírus entre na célula se replique nas já infectadas e se forme antes de partir para infectar outras.

Com esses medicamentos, a Aids transformou-se em uma doença crônica de longa duração para muitos pacientes dos países desenvolvidos.
Enquanto não é encontrado um medicamento que possa matar o vírus de vez, é preciso tomar os remédios por toda a vida para sobreviver.

O relatório da ONU confirma que as pessoas contaminadas com o vírus HIV estão vivendo mais por causa deste tratamento. Entre 2000 e 2008, o número total de pessoas vivendo com o vírus
no mundo cresceu 20% e a quantidade de novas infecções caiu 17%. Em 2008, dos 7.400 novos casos diários de infecções por HIV no mundo, 40% das pessoas tinham entre 15 e 24 anos e estavam concentradas principalmente em países pobres. A África subsaariana é o local onde há mais registros.

Entre estes casos de 2008, 48% eram mulheres e, mesmo parecendo que há uma tendência de aumento da aids nesse grupo, a mortalidade entre as mulheres soropositivas se manteve constante entre 1995 e 2008. No Brasil, de acordo com Ministério da Saúde, cerca de 33% dos casos de aids são de mulheres.

Os cientistas se empenham para vencer as frequentes mutações do HIV, que os obrigam a atualizar os medicamentos quando o vírus aprende como neutralizar os anteriores. Essas mutações, causadas por falhas na cópia do material genético do HIV, também complicam o desenvolvimento de uma vacina.


Fontes de pesquisa:

Estimativas de Custos dos Tratamentos da Aids no Brasil
Scielo Brasil




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