Busca  
  Genética e evolução   
Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias.  

Como se faz um transgênico

Cultura de bactérias
Para fazer um transgênico, os cientistas usam a técnica de recortar o DNA de uma espécie para depois colar esse fragmento recortado no DNA de outra espécie.


O método mais comum para produzir transgênicos utiliza uma bactéria como elemento intermediário. O gene de interesse é introduzido na bactéria, que, depois, é usada para infectar a célula de um animal ou planta. Ao fazer isso, a bactéria transfere parte de seu DNA para o organismo que infecta e, junto, vai o gene de interesse.
 
Algumas plantas – tomate, batata, frutas cítricas e cenoura, por exemplo – são mais fáceis de modificar geneticamente do que outras. Isso porque podem se regenerar em laboratório a partir de uma única célula em cultura. E é muito mais simples manipular genes em células isoladas do que em um organismo multicelular inteiro.

Enzimas de restrição

O desenvolvimento de organismos geneticamente modificados só foi possível com a descoberta das chamadas enzimas de restrição, no início da década de 1960. Estudando o sistema de defesa de certas bactérias diante de determinados vírus, os cientistas perceberam que elas produziam um sistema de enzimas que reconhecia o DNA do vírus invasor e o 'cortava' para, assim, desativá-lo. Essas enzimas ganharam o nome de endonucleases de restrição, ou enzimas de restrição.

As enzimas de restrição são como tesouras moleculares de enorme precisão: existem vários tipos e cada tipo corta o DNA apenas nos locais onde existem sequências de bases nitrogenadas nas quais conseguem se encaixar, fazendo a molécula se transformar em fragmentos de tamanhos variáveis.

DNA recombinante


Com a descoberta das enzimas de restrição, os cientistas aprenderam a produzir os chamados “fragmentos de restrição”, que são usados para ligar pedaços de DNA de diferentes origens, pois suas extremidades são complementares – quer dizer, encaixam-se às bases dessa cadeia, como peças de dominó que formam uma sequência.

É assim que são produzidas moléculas de DNA recombinante, o passo mais importante para a manipulação genética. Para visualizar esse processo, imagine o DNA como uma escada em forma de caracol (a hélice dupla). Em cada degrau há duas bases (adenina e timina, citosina e guanina), que se combinam entre si. No processo de transgenia, um trecho dessa escada é quebrado e, em seu lugar, introduzido um trecho de DNA recombinante.

A técnica foi usada para introduzir diferentes tipos de gene em bactérias para que estas produzissem substâncias como insulina, hormônio do crescimento (GH) etc.

Bactéria, veículo de genes


As bactérias são usadas como veículo de genes porque têm um fragmento circular de DNA chamado plasmídeo, que no momento de uma infecção é transferido para o organismo infectado. É nos plasmídeos que os genes de interesse são introduzidos. Eles são os vetores de transgenia.

O vetor mais comumente usado em plantas é um plasmídeo da bactéria Agrobacterium tumefaciens (o plasmídeo Ti, ou indutor de tumor), que causa uma doença caracterizada por um tumor muito grande. Os cientistas conseguiram criar maneiras de eliminar as propriedades desses plasmídeos que causam os tumores, mantendo, no entanto, sua capacidade de transferir seu DNA para as células das plantas.


Bombardeio de genes

Outra maneira de introduzir genes de interesse numa planta é por meio do canhão de genes ou canhão gênico, aparelho que serve para lançar microprojéteis. Mistura-se o gene a pequenas partículas metálicas, que são acelerados em alta velocidade e projetados contra os tecidos de uma planta, incorporando-se assim a seu DNA.
 
 



Anterior Início Próxima