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Décadas de história

Para o público leigo, Dolly foi o início de toda a discussão. Para a comunidade científica, no entanto, a ovelha foi um importante avanço em uma pesquisa que vinha sendo desenvolvida há décadas.

Reprodução sem sexo

O termo clone apareceu em 1903, criado pelo botânico Herbert J. Webber, que pesquisava hibridização de plantas no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Ao contrário do que ocorreu com muitos termos científicos, esse permaneceu intocado pelo tempo: segundo Webber, um clone seria "uma colônia de organismos que, de modo assexuado, deriva de apenas um progenitor".
Clones e mais clones

Paralelamente ao debate sobre a clonagem de humanos – seja ela terapêutica ou reprodutiva –, as pesquisas continuaram a avançar. Atualmente, a lista de animais clonados contém ovelhas, bezerros, camundongos, cabras e gatos. Mas as primeiras experiências que permitiram o desenvolvimento da técnica da clonagem datam do final do século XIX, quando o alemão Hans Driesch separou células de embriões de ouriços-do-mar e observou o desenvolvimento de larvas pequenas, mas completas. A partir daí, os cientistas só avançaram no conhecimento de como acontece a reprodução sexuada e de que forma isso serviria para criar 'cópias' de seres vivos.

Os primeiros

A ideia de clonar um animal viria um pouco mais tarde: em 1935, o também alemão Hans Spemann ganhou o Prêmio Nobel e ficou conhecido posteriormente como 'pai da clonagem' por transferir de forma rudimentar o núcleo de uma célula em estágio tardio de desenvolvimento para um óvulo enucleado (com o núcleo retirado), observando que o óvulo se desenvolvia novamente para formar uma larva completa. Durante as décadas de 1940 e 1950, vários animais seriam clonados pela divisão de embriões nos estágios iniciais, como se de um único zigoto fossem criados vários irmãos gêmeos. Em 1952 dois cientistas testaram o transplante de núcleo em anfíbios: o núcleo de uma célula de embrião de uma rã foi transplantado para um óvulo não fertilizado, do qual foi retirado o núcleo. Muitos girinos chegaram a nascer e alguns até se transformaram em juvenis.


Agora, os mamíferos

O nascimento da ovelha Dolly representou um grande avanço na tecnologia da clonagem
As experiências com clonagem de anfíbios seguiram com sucesso; no início da década de 1980 começaram as primeiras tentativas de transferência nuclear em mamíferos. Em 1983, camundongos foram gerados de ovos fertilizados enucleados que receberam núcleos de outros ovos fertilizados. Três anos depois, na Inglaterra eram clonados os primeiros carneiros. A técnica usada pelo dinamarquês Steen Willadsen consistia em fundir o núcleo de uma célula de embrião em um ovo enucleado. Mas, então, o que Dolly teve de tão especial? A grande diferença no processo que deu origem à famosa ovelha e que tanto entusiasmou os cientistas é que Dolly foi clonada a partir de células adultas, denominadas células somáticas – e não a partir de células embrionárias, como acontecia normalmente. Daí em diante, tornou-se possível clonar a partir de um animal adulto, conhecendo de antemão as características que serão 'copiadas'.

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