República do Norte da África, banhada pelo Mar Mediterrâneo. Ex-colônia francesa, tornou-se independente em 1962, depois de uma das mais sangrentas revoluções da história. A partir de 1992, novos confrontos entre militares e fundamentalistas islâmicos causaram a morte de milhares de pessoas. Sua capital é Argel. Os Montes Atlas cruzam o norte da Argélia paralelamente ao litoral, dividindo o país em três regiões geográficas distintas: a zona mediterrânea, as estepes e a zona saariana. Na maior parte do território, o clima é Subtropical Árido e, no litoral, Mediterrâneo. A Argélia é um dos principais produtores mundiais de azeitonas e vinho. HISTÓRIA Primórdios. Os berberes, habitantes mais antigos do norte da África, viveram no território argelino na Pré-História. Os fenícios entraram em contato com os berberes por volta de 1200 a.C. e fundaram colônias no litoral, inclusive Cartago, uma das mais famosas cidades da Antiguidade. Domínio Romano. Em 146 a.C., os romanos destruíram Cartago e foram aos poucos se apossando de toda a costa norte africana. Por volta de 46 a.C., haviam criado as províncias da Mauritânia e da Numídia, no norte da Argélia. Com a decadência do Império Romano no séc. IV d.C., as revoltas da população e as lutas entre tribos acabaram por enfraquecer as províncias. O território da atual Argélia tornou-se conquista fácil para os vândalos, que vieram da Europa e invadiram o norte da África em 429 d.C. Por volta de 440, as tribos vândalas ocupavam a parte norte do território. Seu domínio estendeu-se até 533, quando os bizantinos conquistaram as províncias do norte. Conquista Árabe. Durante o séc. VII, tribos árabes tomaram todo o norte da África. Os príncipes berberes resistiram, mas foram obrigados a aceitar o domínio árabe e o Islamismo. Os Mouros e o Domínio Turco. Durante o séc. VIII, os berberes juntaram-se aos árabes na conquista da Espanha. Juntos, os dois grupos eram chamados de mouros. O domínio mouro sobre a Espanha enfraqueceu depois que os reinos espanhóis de Castela e Aragão se uniram, em 1479. Em princípios do séc. XVI, a Espanha conquistou várias cidades costeiras da Argélia. Em 1518, os turcos dominaram o norte da Argélia e estabeleceram a Regência Argelina. A cidade de Argel floresceu como porto marítimo. Domínio Francês. Em 1830, uma esquadra francesa tomou Argel e depôs o rei turco. Os franceses passaram a dominar também outras cidades costeiras, mas não conseguiram conquistar todo o território. Abd el-Kader, chefe árabe de Mascara, comandou a guerra contra os franceses de 1832 a 1847, quando se rendeu. Nos dez anos seguintes, as forças francesas se apoderaram de grande parte do centro da Argélia. A França substituiu o governo militar por uma administração civil em 1871 e concedeu certa autonomia à Argélia em 1898, quando foi empossada uma assembleia eleita. No começo do séc. XX, a França dominava toda a Argélia, inclusive a extensa região saariana no sul, e deu início ao desenvolvimento da economia argelina. No final da década de 1940, os franceses haviam introduzido algumas reformas políticas, como o Estatuto Orgânico de 1947, que conferia cidadania francesa a todos os argelinos muçulmanos e criava uma assembleia argelina em que europeus e não-europeus tinham o mesmo número de representantes. Em 1954, o descontentamento transformou-se em insurreição generalizada. As forças rebeldes, com 20 a 30 mil homens, empregavam sobretudo táticas de guerrilha. Atacavam aldeias, explodiam pontes, danificavam os sistemas de comunicação e de transportes e assaltavam comboios franceses. Em setembro de 1958, os rebeldes argelinos formaram no Egito o Governo Provisório da República Argelina. Em uma eleição especial, porém, a grande maioria do eleitorado argelino votou a favor da nova Constituição francesa elaborada pelo presidente Charles de Gaulle, que lhes dava maior domínio dos assuntos internos do país. As conversações de paz entre a França e os representantes dos rebeldes argelinos tiveram início em maio de 1961. Depois de vários impasses, a França acabou por conceder a independência à Argélia, em 3 de julho de 1962. |