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ARGÉLIA
O país em resumo
Nome oficial: República Democrática e Popular da Argélia (Al Jumhuriyah al aza'iriyah ad Dimuqratiyah ash Sha'biyah).
Capital: Argel.
Localização: Norte da África. Faz fronteira à Leste com a Tunísia e Líbia, ao Sul com Níger e Mali, à Oeste com a Mauritânia e Marrocos, e ao Norte com o Mar Mediterrâneo.
Nacionalidade: argelina.
Área: 2.381.741 km².
População: 35.422.589 habitantes (2010).
Densidade demográfica: 15 hab./km² (2010).
Língua oficial: árabe.
Composição étnica: árabes e berberes.
Religião: islamismo.

Governo:
Sistema de governo
: república com regime de governo misto.
Presidente: Abdelaziz Bouteflika (desde 1999, reeleito em 2004 e 2009).
Primeiro-ministro: Ahmed Ouyahia (desde 2008).
Legislativo: bicameral. Assembleia Nacional Popular, com 389 membros eleitos por voto direto para um mandato de cinco anos, e Conselho da Nação, com 144 membros eleitos para um mandato de seis anos, sendo que metade da bancada é renovada a cada três anos.
Principais partidos: Frente de Libertação Nacional (FLN), Movimento da Sociedade pela Paz (MSP), Partido dos Trabalhadores (PT), Reunião Nacional Democrática (RND) e Frente Islâmica de Salvação (FIS) (este último ilegal desde 1992).

Economia:
PIB
: 140.601 milhões de dólares (2009).
PIB per capita: 4.029 dólares (2009).
IDH: 0,677 (2010).
Agropecuária: frutas cítricas, cereais, uva, oliva, tâmaras e criação de gado (ovinos e bovinos).
Exportação: petróleo, gás natural, vinho e frutas cítricas.
Moeda: dinar argelino.
Mapa

República do Norte da África, banhada pelo Mar Mediterrâneo. Ex-colônia francesa, tornou-se independente em 1962, depois de uma das mais sangrentas revoluções da história. A partir de 1992, novos confrontos entre militares e fundamentalistas islâmicos causaram a morte de milhares de pessoas. Sua capital é Argel.

Os Montes Atlas cruzam o norte da Argélia paralelamente ao litoral, dividindo o país em três regiões geográficas distintas: a zona mediterrânea, as estepes e a zona saariana. Na maior parte do território, o clima é Subtropical Árido e, no litoral, Mediterrâneo. A Argélia é um dos principais produtores mundiais de azeitonas e vinho.

HISTÓRIA

Primórdios. Os berberes, habitantes mais antigos do norte da África, viveram no território argelino na Pré-História. Os fenícios entraram em contato com os berberes por volta de 1200 a.C. e fundaram colônias no litoral, inclusive Cartago, uma das mais famosas cidades da Antiguidade.

Domínio Romano. Em 146 a.C., os romanos destruíram Cartago e foram aos poucos se apossando de toda a costa norte africana. Por volta de 46 a.C., haviam criado as províncias da Mauritânia e da Numídia, no norte da Argélia. Com a decadência do Império Romano no séc. IV d.C., as revoltas da população e as lutas entre tribos acabaram por enfraquecer as províncias. O território da atual Argélia tornou-se conquista fácil para os vândalos, que vieram da Europa e invadiram o norte da África em 429 d.C. Por volta de 440, as tribos vândalas ocupavam a parte norte do território. Seu domínio estendeu-se até 533, quando os bizantinos conquistaram as províncias do norte.

Conquista Árabe. Durante o séc. VII, tribos árabes tomaram todo o norte da África. Os príncipes berberes resistiram, mas foram obrigados a aceitar o domínio árabe e o Islamismo.

Os Mouros e o Domínio Turco. Durante o séc. VIII, os berberes juntaram-se aos árabes na conquista da Espanha. Juntos, os dois grupos eram chamados de mouros. O domínio mouro sobre a Espanha enfraqueceu depois que os reinos espanhóis de Castela e Aragão se uniram, em 1479. Em princípios do séc. XVI, a Espanha conquistou várias cidades costeiras da Argélia. Em 1518, os turcos dominaram o norte da Argélia e estabeleceram a Regência Argelina. A cidade de Argel floresceu como porto marítimo.

Domínio Francês. Em 1830, uma esquadra francesa tomou Argel e depôs o rei turco. Os franceses passaram a dominar também outras cidades costeiras, mas não conseguiram conquistar todo o território. Abd el-Kader, chefe árabe de Mascara, comandou a guerra contra os franceses de 1832 a 1847, quando se rendeu. Nos dez anos seguintes, as forças francesas se apoderaram de grande parte do centro da Argélia. A França substituiu o governo militar por uma administração civil em 1871 e concedeu certa autonomia à Argélia em 1898, quando foi empossada uma assembleia eleita.

No começo do séc. XX, a França dominava toda a Argélia, inclusive a extensa região saariana no sul, e deu início ao desenvolvimento da economia argelina. No final da década de 1940, os franceses haviam introduzido algumas reformas políticas, como o Estatuto Orgânico de 1947, que conferia cidadania francesa a todos os argelinos muçulmanos e criava uma assembleia argelina em que europeus e não-europeus tinham o mesmo número de representantes.

Em 1954, o descontentamento transformou-se em insurreição generalizada. As forças rebeldes, com 20 a 30 mil homens, empregavam sobretudo táticas de guerrilha. Atacavam aldeias, explodiam pontes, danificavam os sistemas de comunicação e de transportes e assaltavam comboios franceses.

Em setembro de 1958, os rebeldes argelinos formaram no Egito o Governo Provisório da República Argelina. Em uma eleição especial, porém, a grande maioria do eleitorado argelino votou a favor da nova Constituição francesa elaborada pelo presidente Charles de Gaulle, que lhes dava maior domínio dos assuntos internos do país.

As conversações de paz entre a França e os representantes dos rebeldes argelinos tiveram início em maio de 1961. Depois de vários impasses, a França acabou por conceder a independência à Argélia, em 3 de julho de 1962.

Maquam El Chahid, monumento aos mártires da guerra de independência argelina, em Argel.

Independência. A Argélia tornou-se república independente depois de mais de sete anos de luta, que custaram a vida de cerca de 250 mil franceses e muçulmanos. Benyussef ben Khedda, primeiro-ministro do governo provisório no exílio, assumiu o poder, mas foi derrubado pelo vice-primeiro-ministro, Ahmed ben Bella, que contava com o apoio da maioria do Exército.

A assembleia eleita pelo povo em setembro de 1962 fez de Ben Bella primeiro-ministro. Este anunciou que a Argélia adotaria um programa econômico socialista e seria neutra na política externa. Em 1963, o país adotou nova Constituição, que estabelecia um governo permanente. Ben Bella foi eleito presidente. Apenas dois anos depois, uma revolta militar liderada por Houari Boumedienne depôs Ben Bella. Um conselho revolucionário encabeçado por Boumedienne assumiu o governo com plenos poderes.

Com a morte de Boumedienne, no final de 1978, o governo esteve sob a chefia do presidente da Assembleia Nacional até meados de 1979, quando foi escolhido para a Presidência o coronel Chadli Bendjedid, reeleito em 1984 e 1988. A nova Constituição de 1989 legalizou o pluripartidarismo. A Frente Islâmica de Salvação (FIS) venceu o primeiro turno das eleições parlamentares de 1991. Pressionado pelos militares, Chadli renunciou e Mohamed Boudiaf, veterano da guerra da independência, foi nomeado presidente, mas morreu assassinado nesse mesmo ano. A ele sucedeu Ali Khafi, membro do Alto Conselho de Estado.

Em 1992, o governo anulou as eleições parlamentares vencidas pela FIS. A resposta do Grupo Islâmico Armado (GIA) e da FIS ao golpe do governo foi promover o terrorismo na Argélia e no mundo, com atentados e massacre de civis. As forças militares do governo reagiram com a mesma violência, matando e reprimindo os fundamentalistas. Os choques entre o governo da Frente de Libertação Nacional (FLN) e os fundamentalistas islâmicos se generalizaram.

Apesar da tentativa de democratização do país, a suspeita de provável fraude na eleição presidencial de 1999 levou o candidato oficial, Abdelaziz Bouteflika (FLN), a concorrer sozinho.

Em julho de 1999, Bouteflika libertou milhares de fundamentalistas. Em agosto de 2000, Ali Benflis foi indicado para ocupar o cargo de primeiro-ministro, sem que a violência diminuísse. Ocorreram diversas chacinas; só em 2000 foram assassinadas mais de 2,5 mil pessoas.

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