Como se manifestou o Romantismo na Alemanha,
na Inglaterra e na França?
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| A natureza mostra-se inóspita e selvagem nas manifestações artísticas românticas. Mar de Gelo (1823), de C.D. Friedrich. Kunsthalle, Hamburgo. |
O Romantismo representou uma reação ao Iluminismo e ao Neoclassicismo. Na Alemanha, mesmo admirando as conquistas iluministas e a Revolução Francesa, os intelectuais defenderam o predomínio do indivíduo sobre a coletividade e da paixão sobre o racionalismo. Na Inglaterra, a influência libertária e o surgimento do proletariado com a Revolução Industrial determinaram o nascimento de uma literatura popular, apoiada no idealismo. Já na França, marcada pelo liberalismo conservador que se opunha ao espírito revolucionário, a produção literária no início do século XIX combinou as idéias liberais às neoclássicas, assumindo um tom mais moralizador do que crítico.
1. O espírito romântico na Alemanha
Na Alemanha do 'Século das Luzes', não existiu um movimento intelectual defensor dos valores da burguesia. Com uma classe média sem poder político, um fenômeno como a Revolução Francesa não teria êxito. Os escritores alemães valorizavam o individualismo, a liberdade e as particularidades nacionais, segundo as idéias do filósofo Johann Gottfried Herder (1744-1803), para quem a arte deveria refletir o espírito de cada povo. Nesse momento, iniciam-se os movimentos políticos em prol da unificação do Estado alemão.
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Goethe em uma pintura romântica de Tischbein, Frankfurt.
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2. Os precursores: Goethe e Schiller
Johann Wolfgang von Goethe nasceu em Frankfurt, em 1749, e morreu em Weimar em 1832. É um dos fundadores do movimento literário Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto), considerado a base do Romantismo literário na Alemanha. Admirador da cultura italiana, como se observa em Elegias Romanas (1795), suas obras mais importantes são: Götz von Berlichingen (1773), Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), Hermann e Dorotéia (1798) e Fausto – tragédia em duas partes: a primeira publicada em 1808 e a segunda, em 1832. A criação dessa obra ocupou a maior parte de sua vida.
Johann Christoph Friedrich von Schiller nasceu em Marbach, em 1759, e morreu em Weimar, em 1805. Sua amizade com Goethe baseava-se na crença na unidade cultural alemã e nos valores do Humanismo. Os Bandidos (1781), Mary Stuart (1800), A Donzela de Orleans (1801), Dom Carlos (1787) e Guilherme Tell (1804) são suas obras mais importantes.
3. Os irmãos Von Schlegel
Os irmãos August Wilhelm (1767-1845) e Carl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772-1829) contribuíram decisivamente para o desenvolvimento do Romantismo alemão. August estudou a ciência literária e sua evolução histórica e, em 1804, publicou Ramos de Flores – uma compilação de traduções de autores italianos, espanhóis e portugueses. Seu irmão Friedrich interessou-se pelas línguas antigas. Escreveu, entre outras obras, Sobre a Mestria de Goethe (1798) e Sobre a Sabedoria dos Índios (1808).
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Retrato de Novalis,
por August Weger. |
4. Novalis (1772-1801)
Seu verdadeiro nome era Friedrich Leopold von Hardenberg. Novalis não pensava em ser poeta até sua amada, Sophie von Künst, morrer aos 15 anos. Sentiu então a necessidade de traduzir em versos essa tristeza. Como escritor, é conhecido sobretudo por sua grande obra inacabada, Heinrich von Ofterdingen (1802), com forte influência de Goethe.
5. Hölderlin (1770-1843)
Johann Christian Friedrich Hölderlin conheceu Susette Gontard em Frankfurt e se apaixonou. Ela é personagem de alguns de seus poemas. Em 1797, é publicado Hyperione, mais tarde, Elegias. Em 1802, após a morte de sua amada, apresentou sinais de loucura. Sua poesia homenageia o amor, o passado clássico e a divindade, refletida na perfeição da natureza.
6. Outros autores: Kleist, Chamisso e Heine
Heinrich von Kleist (1777-1811) escreveu dramas como A Família Schroffenstein (1803), O Gato de Heilbronn (1808) e O Príncipe Friedrich de Homburg (1810). É mais conhecido, porém, por romances como A Marquesa de O (1810).
Adalbert von Chamisso (1781-1838) destacou-se na poesia e no romance. Sua obra mais conhecida é A Maravilhosa História de Peter Schlehmil (1814).
O último grande poeta romântico alemão foi Heinrich Heine (1797-1856). Reuniu seus poemas entre 1852 e 1854. Também é o autor de Quadros de Viagem (1826 a 1831).
7. Poetas românticos ingleses
Desde o início do século XIX, prenunciava-se, no norte da Europa, o surgimento do Romantismo, baseado nos fundamentos do sentimentalismo e da liberdade de criação. A Inglaterra antecipou-se às grandes inovações da cultura e da ciência, vivendo um pré-romantismo, cujo poeta mais destacado foi William Blake (1757-1827), e um romantismo que deixou marcas em toda a literatura ocidental. Seus poetas delineavam as características da poesia romântica européia: recriação de paisagens e de situações exóticas, insistência na beleza e na morte e afirmação do 'eu lírico'.
8. Contexto histórico-social
Entre 1798 e 1832, a Inglaterra deu um passo decisivo para sua hegemonia mundial, graças à sua poderosa industrialização. Com a Revolução Industrial, surgiu uma nova classe social: o proletariado. No plano político, continuou a monarquia constitucional, que sancionava as leis e os decretos propostos pelo Parlamento. No plano ideológico, prevalecia a influência do racionalismo francês sob a forma do empirismo, cujo fundamento continuava sendo a razão. Ao empirismo pode-se acrescentar uma nova tendência do pensamento: o idealismo baseado no sentimento como forma de conhecimento.
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Mulher Acorrentada, quadro
de Eugênio Lucas.
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9. A influência do Romantismo
A Revolução Francesa, pelo que teve de força libertadora em relação à criação artística, em muito influenciou os poetas românticos ingleses, que buscavam a análise dos sentimentos – base do Romantismo –, sem descuidar do protesto e da rebeldia. Tudo isso era imbuído de uma grande naturalidade nas formas e nos temas, o que colaborou para a popularização da literatura romântica inglesa entre as outras literaturas do Ocidente.
10. Os lake poets
A primeira geração de poetas românticos ingleses surgiu na região noroeste da Inglaterra – onde há muitos lagos – por volta de 1770. São os chamados lake poets (poetas lacustres): Wordsworth e Coleridge. Em 1798, esses poetas publicaram juntos as Baladas Líricas, escritas com a intenção didática de observar que tanto a linguagem cotidiana quanto a linguagem culta são igualmente capazes de expressar o sentido da existência.
10a. William Wordsworth (1770-1850)
Estruturou uma poesia com evidente tom didático. Duas de suas obras mostram esse anseio poético: 'A Excursão' (1814), que exalta a contemplação da natureza como caminho para o conhecimento, e 'O Prelúdio', poema autobiográfico concluído em 1805 e publicado em 1850, dedicado a Coleridge.
10b. Samuel Taylor Coleridge (1772-1834)
Autor do texto considerado o manifesto romântico inglês, A Balada do Velho Marinheiro, mesclou o gosto pelas lendas antigas com certo simbolismo moderno. Seu exotismo manifestou-se em Kubla Khane Cristabel.
11. Os poetas satânicos
Os poetas chamados 'satânicos' fazem parte da segunda geração romântica, entre os quais estão Shelley, Byron e Keats. Os três nasceram na mesma época e morreram jovens e longe de sua pátria.
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| Retrato de Lord Byron, por Thomas Philips. |
11a. Lord Byron (1788-1824)
George Gordon, o Lord Byron, encarna a imagem do poeta romântico rebelde e independente. Não se pode separar sua vida pública, repleta de escândalos e atos de heroísmo, de seu trabalho literário, influenciado por Wordsworth e Coleridge. Escreveu um extenso poema de confissão pessoal, 'Peregrinação de Childe Harold', que conta a viagem de um personagem pelo Mediterrâneo. Outras obras de Byron foram inspiradas em diversos temas românticos, da exaltação da liberdade à grandeza do indivíduo.
11b. Percy Bysshe Shelley (1792-1822)
De família destacada, rompeu com a sociedade burguesa de seu tempo por suas idéias atéias e revolucionárias. Esse espírito rebelde revela-se em sua obra Prometeu Libertado (1820), símbolo da luta do homem ante o poder absoluto. Uma das mais importantes obras de Shelley é Adonais (1821), dedicada a Keats.
11c. John Keats (1795-1821)
Há quem considere Keats o mais perfeito dos poetas românticos. Em sua poesia, a essência das coisas mistura-se com o indivíduo, como no extenso poema Endymion (1818), em que o amor pela dama simboliza o amor à beleza ideal. Muito importantes são seus poemas em estilo italiano, cujo tema é a fusão com a natureza: 'Depois que Escuros Hálitos', 'Ode a uma urna Grega' e 'Ao Sonho'.
12. Poetas românticos franceses
A Revolução Francesa (1789) e o Império Napoleônico influenciaram o desenvolvimento da literatura francesa do princípio do século XIX. Do ponto de vista sociopolítico, essa época era dominada por um liberalismo conservador, oposto ao espírito revolucionário. Esse panorama favoreceu o aparecimento do Romantismo, proveniente da Alemanha e da Inglaterra e cujas características eram o idealismo, a liberdade de criação e a exaltação aos valores nacionais.
| Na França, esse movimento literário caracterizou-se por seu tom marcadamente conservador, de intenção mais moralizadora do que crítica, e pela simplicidade das formas. |
13. O novo estilo e seus precursores
O movimento romântico francês combinou as idéias liberais com as neoclássicas. Os precursores do Romantismo nesse país foram Madame de Staël e Chateaubriand, defensores de um romantismo tradicional com alta dose de religiosidade.
13a. Madame de Staël (1766-1817)
Nascida Anné Louise Germaine Necker, recebeu a Revolução Francesa com alegria, embora tenha se distanciado dela mais tarde. Em 1810, influenciada pelos irmãos Schlegel, escreveu o ensaio Da Alemanha, publicado em 1814. Na obra, defende a capacidade intelectual alemã e resume a filosofia idealista de Kant, Schelling e Fichte sob um prisma moralista. Madame de Staël recuperou os trovadores medievais e a épica nacional.
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Na gravura, o autor romântico francês François-René, Visconde
de Chateaubriand.
Biblioteca Nacional, Madri. |
13b. François-René de Chateaubriand (1768-1848)
Considerado o iniciador do Romantismo francês, Chateaubriand publicou, em 1797, seu Ensaio sobre as Revoluções, de caráter racionalista. Em 1802, escreveu O Gênio do Cristianismo, no qual defende o cristianismo como forma de aprofundar o sentimento humano. Nesse livro aparecem os dois relatos, 'René' e 'Atala', nos quais narra as vicissitudes de personagens cheios de ingenuidade e ternura, qualidades que faltam ao homem 'civilizado'. Postumamente foram publicadas suas Memórias de Além-Túmulo. Chateaubriand tinha um espírito melancólico e sonhador, que o fazia encontrar seus temas prediletos na distância e na solidão.
| Retrato de Lamartine, por F. Gérard. Museu de Versalhes. |
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14. Alphonse de Lamartine (1790-1869)
Participou da política, ocupando o cargo de ministro e chefe do governo provisório após a revolução de 1848. Sua obra caracteriza-se por um idealismo despretensioso e por uma linguagem simples, povoada por imagens cotidianas. Destacou-se na poesia com Meditações Poéticas (1820), obra que retomaria em 1828 com Novas Meditações, e dois extensos poemas narrativos: 'Jocelyn' e 'A Queda de um Anjo', ambos de 1836.
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| Cena de uma representação de Lorenzaccio, peça teatral de Alfred de Musset. |
15. Alfred de Musset (1810-1857)
Influenciado por Lord Byron, Musset cunhou o termo 'Mal do Século' para traduzir o tédio e a melancolia que tomaram conta de sua geração. Assim, deu vazão a um sentimentalismo que, por vezes, chega a ser piegas. Extremamente crítico no que se refere à religião, publicou dois volumes de versos: Primeiras Poesias (acredita-se que até 1835) e Novas Poesias (até 1852). Autor de pequenas comédias em versos críticos e satânicos, Musset antecipou o esgotamento das formas românticas. Em seu segundo volume de Poesias são encontradas suas composições mais célebres: 'Les Nuits' (As Quatro Noites), elegias – ou lamentos – à romancista francesa George Sand, que o abandonara.
16. Alfred de Vigny (1797-1863)
Celebrado como verdadeiro gênio romântico, Vigny viu seu primeiro livro, Poemas Antigos e Modernos (1826), se transformar em enorme sucesso, para ter, em seguida, suas obras desprezadas por seus contemporâneos. Os romances históricos O Cinco de Março (1826), Stello (1832), Servidão e Grandeza Militares (1835) e a tragédia Chatterton (1835) não tiveram repercussão. Sua obra póstuma, Os Destinos (1867), que reflete o ideal da perfeição artística vivida no isolamento – na 'torre de marfim' –, foi bem acolhida entre os parnasianos, o que nos ajuda a entender por que Alfred de Vigny foi esquecido pelos românticos. Na verdade, sua obra sempre se revelou mais clássica do que romântica.
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| Retrato de Victor Hugo. Modern Portrait Gallery, Londres. |
17. Victor Hugo (1802-1885)
No topo do Romantismo liberal francês situa-se a figura de Victor-Marie Hugo. Para esse autor, o escritor deveria ser o eco de seu tempo, refletindo as inquietações da alma popular. Como poeta, destacou-se por seu intimismo e popularismo, qualidades que exalta em suas odes à pátria, à paisagem e ao lar. Suas obras líricas mais importantes são Odes e Baladas (1827), As Orientais (1829) e As Folhas de Outono (1831). Também destacam-se Os Cantos do Crepúsculo e As Vozes Interiores, publicadas entre 1831 e 1840. Sua obra mais citada é a peça teatral Cromwell (1827), cujo prólogo proclama os princípios básicos do movimento romântico no teatro. Com Hernani (1831) veio a consagração da nova dramaturgia romântica.
18. O romance romântico
O Romantismo coloca-se como uma reação ao Neoclassicismo e ao Iluminismo. Cansados de sempre buscar uma explicação lógica para o que os rodeava, os intelectuais descobrem o medo e a emoção. O escritor romântico era um apaixonado pelo mistério, pelo oculto. Comovia-se não apenas com a visão de um templo grego, mas também com um mosteiro em ruínas, solitário e coberto de heras. Surge assim o interesse pela Idade Média. Foi a época das narrativas de terror de Bécquer e de Edgar Allan Poe, dos contos de fadas dos irmãos Grimm e do corcunda Quasímodo, de Victor Hugo, que se arrastava pelos corredores da Catedral de Notre Dame, de Paris.
| O romântico era essencialmente pessimista e melancólico e refugiava-se na tristeza. Acima de tudo, deixava-se condicionar pela paixão e pelos sentimentos, levando-os às últimas conseqüências. |
19. A narrativa romântica
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| Cartaz anunciando o livro Os Miseráveis, de Victor Hugo. |
Os autores românticos atribuíam grande importância aos estados da alma e aos sentimentos. Seus personagens, entristecidos, recusam a sociedade em que vivem marginalizados. Românticos como Victor Hugo e Sir Walter Scott não desprezaram o gênero de aventuras e a exaltação dos heróis do passado.
20. O romance histórico
O romance histórico foi um gênero narrativo típico do Romantismo. O escritor e o artista românticos não se sentiam integrados ao mundo industrializado e materialista da Europa do século XIX. A recriação de lendas, de heróis medievais ou de épocas passadas permitia-lhes escapar dessa realidade. Alguns desses heróis simbolizavam a luta contra a tirania e a opressão política e sintetizavam o esforço pela construção de uma identidade nacional.
20a. Walter Scott (1771-1832)
Nascido em Edimburgo, na Escócia, Sir Walter Scott publicou, em 1814, Waverley, considerado o primeiro romance histórico, repleto de aventuras medievais. Rob Roy (1818), Ivanhoé (1819) e A Noiva de Lammermoor (1819) também são obras de Scott.
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| Retrato de Honoré de Balzac. |
21. Honoré de Balzac (1799-1850)
Balzac compartilhava com Chateaubriand o espírito conservador. Para ele, valores como cortesia, nobreza e generosidade estavam se perdendo irremediavelmente, cedendo lugar à ambição pela riqueza, à ascensão do burguês sem escrúpulos e ao triunfo do egoísmo. Em Eugénie Grandet (1833), Balzac retrata a avareza responsável pela traição entre irmãos. Em O Pai Goriot (1834), aparece a figura do pai sacrificado e generoso. Em As Ilusões Perdidas, escrito entre 1837 e 1843, o protagonista, um jovem ambicioso que viaja a Paris em busca de dinheiro e poder, conhece a desgraça e a tragédia.
22. Stendhal (1783-1842)
Pseudônimo de Henri Beyle. Escreveu ensaios sobre música e pintura, porém foram seus romances que lhe deram fama, em especial O Vermelho e o Negro (1830), que, com A Cartuxa de Parma (1839), coloca em prática a teoria de Stendhal de que ele não escrevia sobre aquilo que via, mas sobre os sentimentos que os fatos provocavam. Seu espírito crítico e seu amor pela análise das paixões humanas são traços plenamente românticos.
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| Retrato de Jane Austen. |
23. Jane Austen (1775-1817)
Seus romances refletem a infância e a educação que recebeu do pai, um pastor protestante. Essa educação e o ambiente simples e tranqüilo do interior da Inglaterra levaram Austen a criticar os caprichos da moda, inclusive na literatura, e a escrever de forma sincera sobre os conflitos nas relações humanas. Seus personagens são analisados a fundo, sempre com um ligeiro toque de humor. Destacam-se, entre seus romances, Razão e Sensibilidade (1811), Orgulho e Preconceito (1813) e Persuasão (1818).
24. Alexandre Dumas, pai (1802-1870)
Um dos mais populares escritores de todos os tempos, Dumas montou uma verdadeira máquina de produção de narrativas, contando, como os atuais autores de best-sellers, com o auxílio de vários colaboradores. Suas obras completas chegam a 177 volumes, com algumas das mais consagradas histórias de aventuras, como Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo, ambas publicadas em 1844. Também escreveu obras para o teatro, sendo seguido por Alexandre Dumas Filho (1824-1895), autor de A Dama das Camélias (1848).
25. Victor Hugo
Victor Hugo escreveu seu maior romance, Os Miseráveis (1862), durante seu exílio na Inglaterra. Na obra aparece a preocupação com a educação e a generosidade como fontes de progresso. Além desse, seu livro mais tipicamente romântico é Nossa Senhora de Paris (1831), no qual retrata a construção da catedral, revelando conhecimentos da arte medieval. Desse mesmo ano é O Corcunda de Notre Dame, a obra mais popular do autor.
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Retrato de
Edgar Allan Poe. |
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26. Edgar Allan Poe (1809-1849)
Nasceu em Boston, nos Estados Unidos, e morreu, na miséria, em Baltimore. Seus contos sobre morte, perversões e delitos não lhe deram muita fama em vida. Foram os poetas simbolistas franceses, a partir de Baudelaire, que apreciaram e divulgaram sua obra. Entre seus contos destacam-se: A Queda da Casa de Usher e Os Crimes da Rua Morgue. Allan Poe captura a atenção do leitor com enredos misteriosos e aterrorizantes, em que retrata o lado perverso da alma humana.
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Capa de Moby Dick, a obra mais conhecida de Herman Melville. |
27. Herman Melville (1819-1891)
Nasceu e morreu em Nova York. Seu profundo conhecimento da vida no mar levou-o a escrever sua obra mais conhecida, Moby Dick (1851) – a história do capitão de um navio baleeiro, Ahab, que dedica todos os seus esforços à perseguição de Moby Dick, uma baleia gigante. Essa obsessão simboliza a luta por um ideal que acaba por consumir o protagonista. Escreveu também Typee, Bartleby, o Escrevente e Billy Budd, obra em que se baseou Benjamin Britten para compor sua ópera de mesmo nome.
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| Charles Dickens |
28. Charles Dickens (1812-1870)
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| Ilustração do romance Oliver Twist, de Charles Dickens. |
A literatura desse célebre autor inglês caracteriza-se pela visão pessimista e pela dureza com que retrata as condições de vida dos humildes e marginalizados. Em Oliver Twist, de 1838, essa realidade é vista pelos olhos inocentes de um menino. Em David Copperfield, de 1849, Dickens inspira-se na própria infância: a morte da mãe e a tirania do pai fazem o infortúnio do garoto David. O mundo da infância maltratada também aparece em Tempos Difíceis (1854) e As Grandes Esperanças (1861).
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O ator Boris Karloff interpretou melhor
do que ninguém o monstro do romance Frankenstein, de
Mary Shelley. |
29. Mary Shelley (1797-1851)
Nascida Mary Godwin Wollstonecraft, fugiu com o poeta britânico Percy Bysshe Shelley em 1814, casando-se com ele dois anos depois. O romance que lhe deu fama foi Frankenstein ou o Prometeu Moderno (1818). Nele, o doutor Frankenstein desafia a Ciência e a natureza e, como um pequeno deus, cria um ser disforme a partir de restos humanos e do cérebro de um condenado. Frankenstein não é um simples conto de terror: simboliza a impossibilidade de se opor às leis da natureza e ao seu poder de criação. Além de escritora, Mary Shelley também editou as obras poéticas do marido.
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