Pais de olhos claros podem ter filhos de olhos escuros?

A herança da cor dos olhos na espécie humana não se dá de forma tão simples quanto a que é ensinada no nível médio. Isto é feito apenas para efeito didático. De forma geral, considera-se que existem apenas dois fenótipos: olhos claros e olhos escuros e que indivíduos de olhos claros (característica determinada por um gene recessivo) só podem ter filhos de olhos claros. Isto quase sempre dá certo, mas a herança desta característica, na verdade, é poligênica e bem mais complexa. Veja o exemplo do cruzamento de dois indivíduos de olhos claros, um azul e outro verde. Existem vários pares de genes atuando em conjunto, resultando em vários fenótipos (diferentes colorações para o olho). As diferentes colorações dos olhos são dadas pelo pigmento melanina, que tem coloração castanha (quase amarela). Se não houver pigmento, a coloração do olho é azul (por um fenômeno físico). As quantidades variáveis do pigmento vão determinando as outras colorações. Um pouco de pigmento de tom amarelado, misturado com o azul, resulta no olho verde. As diversas tonalidades são obtidas assim, com quantidades crescentes de melanina, até a cor marrom bem escura, determinada por uma quantidade muito grande do pigmento. Conclui-se, portanto, que um casal de olhos claros com alguma quantidade de pigmento presente deverá ter filhos de olhos claros, com qualquer tonalidade que poderá variar até um castanho esverdeado, dependendo da quantidade de pigmento que cada um enviará para o filho e da somatória final da melanina enviada pelos dois. A maior probabilidade é de que nasça uma criança com a cor intermediária, mas todas as outras tonalidades são possíveis. No entanto, se a tonalidade dos dois for muito clara (isto é, se houver uma quantidade de pigmento muito pequena em cada um), não deve existir a possibilidade de nascer um filho com pigmentação escura (castanho, por exemplo).