Qual a relação entre a Doutrina Truman e o Plano Marshall?
No final da Segunda Guerra Mundial, os países europeus entraram em declínio, coincidindo com a ascensão dos Estados Unidos e da União Soviética. Winston Churchill, estadista britânico, foi o primeiro a perceber o perigo da ameaça comunista, iniciando fortes pressões para que o Ocidente encontrasse uma estratégia para deter o avanço soviético. Em resposta à atitude britânica, o presidente norte-americano, Henry Truman, pronunciou em 12 de março de 1947, diante do Congresso Nacional, um violento discurso assumindo o compromisso de defender o mundo capitalista da ameaça comunista. Estava lançada a Doutrina Truman e iniciada a Guerra Fria, que propagou para o mundo o forte antagonismo entre os blocos capitalista e comunista. Em seguida, o secretário de Estado George Catlett Marshall anunciou a disposição dos Estados Unidos de efetiva colaboração financeira para a recuperação da economia dos países europeus. A decorrência prática mais imediata da Doutrina Truman foi o Plano Marshall. Instrumento econômico e financeiro de cristalização da área de influência americana na Europa Ocidental e tentativa de estabilização da economia europeia ocidental, ele consubstanciou agressivamente a noção de contenção. Nos anos do imediato pós-guerra, a Europa atravessava uma profunda crise econômica, dramatizada pelo racionamento de alimentos e energia, pelo crescimento do desemprego e pela queda vertiginosa das exportações. (…) A influência dos partidos de esquerda aumentava paralelamente ao agravamento da recessão. Em junho de 1947, o secretário de Estado americano George Marshall lança as ideias básicas do Plano. Ele diagnosticava no desequilíbrio das trocas comerciais EUA-Europa e na consequente carência europeia de dólares a fonte principal da crise econômica. Receitava um ambicioso programa de transferência de dólares de um lado para o outro do Atlântico Norte, através da concessão de fundos, créditos e suprimentos materiais a juros irrisórios. O Plano, proposto a todos os países europeus e à URSS, previa estratégias econômicas continentais que teriam como resultado a recuperação da atividade econômica europeia, a retomada de trocas equilibradas com os EUA e o retorno aos antigos fluxos comerciais intra-europeus, caracterizados pela troca de manufaturados do oeste por produtos agrícolas do leste. Além de consolidar o capitalismo na Europa Ocidental, o horizonte do Plano previa a reintegração da faixa de segurança soviética do leste na economia capitalista mundializada.