Como se originou a festa do bumba-meu-boi?
O bumba-meu-boi é uma manifestação popular que tem sua origem nas celebrações de colheita ligadas aos ciclos das estações. O boi sempre foi um personagem sagrado, desde a Antiguidade, no Egito, Índia e até no “Mardi-gras” (“terça-feira gorda”) francês, quando desfila enfeitado nas ruas de Paris, durante o Carnaval. Trata-se de uma festa pagã, incorporada ao calendário católico, como tantas outras. O tema central é a morte e ressurreição do boi e as comemorações correspondem à chegada do inverno (festas juninas) ou do verão (Natal). No Brasil, sua origem parece estar relacionada às histórias do ciclo do gado, nos séculos XVII e XVIII, quando a atividade pecuária predominava no Brasil. O boi estava presente na literatura oral e em cantigas, principalmente no Nordeste, onde os rebanhos eram criados livres nos campos. No Maranhão, a comemoração do bumba-meu-boi é muito popular e sua origem perde-se no tempo. O que fica claro são as influências de tradições negras, indígenas e europeias nas brincadeiras. A mistura de tantas culturas explica as razões da riqueza em uma manifestação de rua tão popular. Ao espalhar-se pelo País, o bumba-meu-boi adquire nomes, ritmos, formas de apresentação, indumentárias, personagens, instrumentos e adereços diferentes. Dessa forma, enquanto no Maranhão, Rio Grande do Norte e Alagoas é chamado bumba-meu-boi; no Pará e Amazonas, é boi-bumbá; em Pernambuco, é boi- calemba ou bumbá; no Ceará, é boi-de-reis, boi-surubim e boi-zumbi; na Bahia, é boi-janeiro, boi-estrela-do-mar; no Paraná, em Santa Catarina, é boi-de-mamão; em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Cabo Frio, é bumba ou folguedo do boi; no Espírito Santo, é boi-de-reis; no Rio Grande do Sul, é bumba, boizinho ou boi-mamão; em São Paulo é boi-de-jacá e dança do boi.