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Endividamento e Inflação: Eternos Vilões


Incineração de cruzeiros reais na Casa da Moeda, em 1995, ano do primeiro aniversário do Plano Real.
Um estrangeiro que viesse ao Brasil algumas vezes entre 1985 e 1995 teria muitas dificuldades em contar aos outros qual o nome do dinheiro brasileiro. Principalmente nesse período, a variação da moeda tornou-se algo extremamente frequente na vida nacional.

Aos brasileiros restou aprender a conviver com as alterações e se esforçar para entender a sucessão de mudanças monetárias. E essa não é uma situação nova no país. Manter uma moeda estável no Brasil, aliando crescimento econômico e estabilidade, tem sido tema frequente no discurso dos governantes e, até agora, um desafio inglório. A cobrança por obras financiadas pelo Estado, a má utilização e o desvio do dinheiro público e o inchaço do funcionalismo acabam criando uma enorme dívida pública. Para diminuí-la, a saída mais fácil tem sido imprimir papel-moeda, o que alimenta a corrosiva escalada inflacionária. "Fazer" mais dinheiro, mesmo que ele tenha menos valor, é uma tentação maior do que a capacidade política de controlar os gastos governamentais.

Com a inflação, o custo de vida sobe e, quando já está tão alto que fica difícil calcular, cortam-se os zeros. Num passe de mágica, temos uma nova moeda. Cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cruzeiro real, real — cada nova mudança traz consigo a tentativa de criar uma moeda estável, que venha para ficar, driblando a tradição econômica do Brasil colonizado, na qual o que era bom para as elites era bom para o país.




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