 | | | Praça da Sé e Rua XV de novembro no início do século XX |
|
O surgimento das indústrias no Brasil deu-se em meio a acirradas discussões sobre a utilidade dessa atividade econômica no país. A pressão dos produtores rurais para privilegiar seus próprios interesses sempre foi muito articulada, e somente depois de muita insistência do novo setor foi que o Estado brasileiro passou a considerar seriamente as necessidades da área industrial ao estabelecer sua política econômica. Uma série de fatores convergiu para a intensificação das atividades industriais no início do século XX: - A existência de capital excedente vindo dos lucros com o café, que buscou negócios diversificados para ampliar seu leque de investimentos.
- O interesse de países como Inglaterra e Estados Unidos em exportar capitais e máquinas (por meio de empréstimos e participação em empresas no exterior).
- A imigração europeia, que favoreceu o crescimento da mão de obra assalariada, com condições de formar um mercado consumidor amplo e fornecer operários com alguma experiência na área industrial. - O capital e a experiência trazidos pelos próprios imigrantes, que se tornaram industriais de peso em vários setores de atividades. A indústria de bens de consumo
 | | | Vista interna da fábrica de papel Companhia Fabricadora de Papel (CFP), em março de 1938. |
|
No início da industrialização brasileira, predominou a indústria de bens de consumo, como a indústria de alimentos, de vestuário, de chapéus e de calçados. Por utilizar uma tecnologia mais simples, essa indústria exigia menos capital. Ela também era favorecida pela existência de matéria-prima abundante no país. Outro atrativo para sua instalação era o rápido escoamento dos produtos, já que o mercado interno brasileiro estava em expansão. O surgimento das fábricas reforçou a relação de dependência entre o Brasil e os países onde a Revolução Industrial já estava consolidada havia pelo menos cem anos, como a Inglaterra. A substituição das importações
 | | | Crise na Bolsa de Nova York, em 1929 |
|
As oscilações econômicas e políticas no exterior, reflexo principalmente da Primeira Guerra Mundial e da Crise da Bolsa de Nova York, em 1929, forçaram a substituição das importações, o que acabou favorecendo a expansão das indústrias de base. Nas três primeiras décadas do século XX, o aumento das possibilidades do mercado consumidor atraiu grupos e famílias estrangeiras para o Brasil, que chegaram com capital para investir e com experiência no setor. Famílias como a Matarazzo e a Jafet destacaram-se, suprindo o mercado interno com produtos que, pelo menos naquele momento, estavam inacessíveis no comércio exterior. As empresas de serviços O desenvolvimento da indústria e a crescente urbanização do país exigiam cada vez mais a criação de uma infraestrutura de apoio. Energia elétrica e transporte, por exemplo, eram fundamentais para que qualquer projeto de modernização pudesse decolar
| Essa foi mais uma oportunidade para as investidas do capital estrangeiro no Brasil. Sem dinheiro para garantir esses serviços, os sucessivos governos da República foram concedendo às empresas estrangeiras o direito a exploração de fornecimento de energia, gás, transportes, coleta de esgoto, portos etc.
|
|
Os lucros dessas empresas de serviços eram garantidos. A Light&Power, empresa canadense fundada em 1899, controlou os serviços de energia elétrica durante várias décadas.
|