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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Um negócio milionário

Detalhe de uma litografia aquarelada de autor anônimo, provavelmente de 1845, retratando tropeiros na antiga Vila de Sorocaba.
A agricultura cafeeira assumiu proporções surpreendentes no mercado internacional. O consumo do produto na Europa e nos Estados Unidos multiplicou-se várias vezes nas primeiras décadas do século XX. O café garantiu o primeiro lugar entre os produtos de exportação: 60% do valor total, em média, entre 1889 e 1930. Com uma safra de 11,37 milhões de sacas de 60 quilos, em 1901 o Brasil conquistou o monopólio do café. Em 1906, o Estado de São Paulo tornou-se, sozinho, responsável por 50% da produção mundial.

Entre 1910 e 1920, o Brasil produziu cerca de dois terços do café mundial. As fazendas paulistas eram responsáveis por 70% desse total.


Crescem as exportações

De 1909 a 1913, as exportações do Brasil deram um salto em volume. Encabeçadas pelo café e pela borracha, atingiram a média de 66 milhões de libras esterlinas – 50% a mais do que nos cinco anos anteriores. Os impostos sobre essas importações financiaram o avanço da estrada de ferro e a aquisição de maquinário para novas indústrias. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), as fábricas paulistas puderam atender à demanda do mercado interno nacional.

Estação da Funilense, em Campinas:
mais transportes para a cidade no início do século XX.
Em busca do mercado

A terra no oeste paulista, pouco valorizada até o final do século XIX, multiplicou o seu preço mais de 30 vezes entre 1912 e 1930. Predominavam as grandes propriedades e, em 1926, mais de 20 fazendas paulistas tinham pelo menos 1 milhão de pés de café.

Política protecionista

A associação entre cafeicultores e o Estado propiciou uma política de valorização e defesa permanente da produção. Acordos que previam a compra dos estoques pelo governo – financiada por empréstimos estrangeiros – regulavam a quantidade do produto que seria colocada à venda no mercado internacional e evitavam a queda do preço. Um exemplo disso foi o Convênio de Taubaté, firmado em 1906 entre os governos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores produtores do país. Os governos estaduais decidiram comprar a produção de café, limitar as exportações e só vender o produto quando o preço internacional subisse. Com isso, não haveria café em excesso no mercado e, consequentemente, seu preço se manteria em alta. Mesmo com as safras excessivas.

Somente na safra de 1906-1907, o Estado de São Paulo produziu 15,4 milhões de sacas para um consumo internacional de 16 milhões.


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