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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Os trilhos do progresso

Oficinas mecânicas da Estrada de Ferro Sorocabana e trilhos da antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro. No detalhe, plaqueta de identificação de uma locomotiva.
O café impôs a necessidade do investimento em ferrovias, que se transformaram no meio mais eficaz e econômico de transporte do produto das fazendas para os portos. Elas permitiram que os fazendeiros passassem a viver nas cidades. Isso resultou na aceleração do desenvolvimento urbano, que gerou novas demandas de comércio e ofícios, oportunidades que não se limitavam ao setor agrícola.

A chegada do trem

Com 159 km, a Estrada de Ferro Santos–Jundiaí, da São Paulo Railway Company, foi inaugurada em São Paulo em 1867. Outras companhias multiplicaram rapidamente os quilômetros de trilhos que corriam pelo Estado.

A mão de obra assalariada e consumidora dos trabalhadores estrangeiros desempenhou papel importante na expansão de outras atividades econômicas, principalmente nos setores industrial, comercial e financeiro.


A elite paulistana passeia sua elegância pelas ruas da capital nos primeiros anos do século XX.
O poder de São Paulo na República

A ascensão da influência paulista nos destinos políticos do Brasil coincide com o avanço cafeeiro. Em 1873, os cafeicultores paulistas fundaram o Partido Republicano Paulista (PRP), decididos a lutar pela República.

O programa dos líderes republicanos de São Paulo era ambicioso. Além da autonomia política, pretendia a descentralização administrativa e da receita pública.


Política e economia unidas

A elite paulista manteve sua hegemonia durante toda a República Velha (1889-1930). O PRP foi responsável pela manutenção do controle dos poderes estadual e federal. Articulando a política do café-com-leite com Minas Gerais, criou-se o compromisso de, alternadamente, cada Estado indicar um nome para a Presidência da República.

Uma elite refinada

São Paulo iniciou o século XX em um processo de intensa modernização. A capital do Estado foi o centro de referência de um novo modelo de vida.

A educação valorizada

O diploma universitário vinha ganhando importância como marco social desde o fim do Império. Em 1827 surgiu, no Largo de São Francisco, a Academia de Direito. As relações familiares facilitaram o acesso dos jovens de elite a posições de destaque como diretores de companhias, bancos ou cargos públicos.

Uma temporada no exterior era indispensável. Paris e Londres influenciavam tanto as artes como o modo de vida. Os cafés, os gramofones e os cinematógrafos mostravam o desejo paulista de identificação com o estilo europeu.









Em primeiro plano, a sacada do palacete Conde Prates. Ao centro, o Parque Anhangabaú, em 1924. No fundo, à esquerda, o Teatro São José; à direita, o Teatro Municipal.

Os salões da sociedade

A vida social paulistana tinha nas suntuosas mansões das famílias tradicionais seu espaço privilegiado:

• Conde Álvares Penteado, fazendeiro, comerciante e industrial. Em 1901, construiu uma luxuosa mansão no novo bairro de Higienópolis. Para se livrar do barro das ruas, mandou pavimentar com paralelepípedos a Rua Maria Antônia. Autoridades estrangeiras, em visita ao país, hospedaram-se algumas vezes em sua casa. 

• Os salões de dona Veridiana Prado eram disputados pela sociedade. Seus filhos destacaram-se em diversas áreas. Antônio da Silva Prado foi ministro da Agricultura em 1885 e primeiro prefeito da cidade, logo após a criação do cargo para o município, em 1899. Martinico Prado, republicano fervoroso, foi membro da Assembleia Provincial. Eduardo Prado destacou-se como literato.


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