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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

A capital muda de cara

Na periferia da capital, foram surgindo vilas e bairros operários. O bairro do Brás, por exemplo, cresceu em função da industrialização. Concentrando imigrantes italianos a partir de 1874, foi uma zona privilegiada para a instalação das fábricas de tecido e dos moinhos. Os terrenos de baixo preço facilitaram o investimento em casas populares e instalações industriais. Toda a região de várzea era desvalorizada por causa das enchentes na época de chuvas. Assim, a Barra Funda, o Bom Retiro e o próprio Brás foram sendo habitados pela população de baixa renda.

O Vale do Anhangabaú, em meados dos anos de 1950.
Um centro de decisão do país


As famílias mais ricas foram ocupando outras regiões: os bairros de Campos Elíseos, Higienópolis
e a Avenida Paulista. Seus palacetes, de inspiração francesa ou inglesa, projetaram nomes como o do engenheiro e arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1928). O eixo político desse período já colocava São Paulocomo importante centro de decisões econômicas do país. A transformação urbana refletia esse processo, justificando as iniciativa.

O prefeito Antônio da Silva Prado remodelou o Jardim da Luz, construiu novos mercados, abriu avenidas e arborizou ruas. Francisco Prestes Maia (1938 a 1945) realizou a maior renovação urbanística da cidade de São Paulo, até os anos de 1950. Foi o responsável pela reurbanização do Vale do Anhangabaú.


O Modernismo repensa o Brasil

A vida cultural em São Paulo intensificou-se a partir dos anos de 1920. Teve início um período de reflexão maior sobre a cultura brasileira e sua submissão aos modelos francês e inglês. Autores como Lima Barreto e Euclides da Cunha, no Rio de Janeiro, e Monteiro Lobato, em São Paulo, produziram uma literatura que tratava de temas nacionais, abordando-os de forma crítica. 
Primeira edição de A Menina do Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato
A "Revista do Brasil", lançada em 1916 como suplemento do jornal O Estado de S. Paulo, foi uma inovação. Publicava textos de Menotti del Picchia, Oswald de Andrade, Gilberto Freyre e Mário de Andrade, entre outros. 
 

Os modernistas entram em cena

Após a Primeira Guerra Mundial, as tendências modernistas passaram a repensar a cultura brasileira, rompendo com o mito da civilização europeia como ideal a ser copiado. Destacaram-se:
• Na pintura: Di Cavalcanti, Candido Portinari, Tarsila do Amaral, Lasar Segall e Anita Malfatti, entre outros. 
• Na escultura: Victor Brecheret. 
• Na música: Heitor Villa-Lobos.
• Na literatura: Graça Aranha, Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia e Oswald de Andrade. 


Os modernistas Victor Brecheret; Guilherme de Almeida e sua mulher, Baby; Mário de Andrade e alunas.

A Semana de Arte Moderna

Em 1922, os modernistas lideraram a Semana de Arte Moderna, com três dias de atividades no Teatro Municipal, em São Paulo. Na apresentação do novo ritmo cultural, as reações do público variaram dos aplausos entusiasmados a fervorosas vaias.


São Paulo e as fábricas

O número de operários em São Paulo crescia a cada ano, desde o início do século. Tratava-se de um grupo heterogêneo, formado por imigrantes de diversas origens, ex-escravos, população de baixa renda, homens, mulheres e crianças.

Cresce a consciência operária

Sem o apoio de leis trabalhistas que garantissem boas condições de trabalho, essa categoria demorou a se unir para reivindicar melhorias. Isso começou a acontecer a partir do início do século, com a influência marcante do anarquismo e do socialismo. Trazido ao Brasil pelos imigrantes, o anarquismo inspirou jornais, grupos de teatro e núcleos de debate político.


Primeiros choques com os patrões
Fabricação de um automóvel da General Motors do Brasil, na década de 1930: as carrocerias ainda eram feitas de madeira.

A grande crise urbana teve início na Primeira Guerra Mundial, com a alta no custo de vida. O corte na produção industrial resultou em enorme desemprego. A promessa de prosperidade na capital desfazia-se. Em 1917, estourou a primeira greve geral na história da cidade e do país. Iniciada no cotonifício Crespi por aumento salarial, alastrou-se rapidamente, somando 5 mil participantes em 15 dias. Nas passeatas destacaram-se mulheres e menores, também operários das fábricas paulistanas. A adesão cresceu e, em 9 de julho de 1917, um operário foi ferido pela polícia em frente à Fábrica Mariangela, morrendo dois dias depois. Logo, 70 mil trabalhadores estavam parados.

O Comitê de Defesa Proletária, formado durante o movimento, apresentou suas reivindicações. Após uma difícil negociação, os operários conseguiram 20% de aumento salarial. São Paulo voltou ao trabalho em uma semana.


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