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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Histórias do passado

Desde a fundação de São Paulo, o rio foi usado como via de transporte.
No início do século, paulistanos divertiam-se nas águas do Tietê.
Também eram comuns as competições de remo e de natação.
"Rio das perdizes", "rio dos veados", "rio de muitas águas" ou "rio grande" - são muitos os significados em tupi-guarani do termo Anhembi, antiga designação do Tietê. Mais que um símbolo de São Paulo, o Tietê carrega a história da expansão da capital.

Berço de São Paulo

É impossível falar da história de São Paulo sem falar do Tietê. O núcleo colonial da cidade nasceu entre seus dois afluentes - o Tamanduateí e o Anhangabaú - e a metrópole tem hoje sua porção central cravada entre o Pinheiros e o Tietê. Ao dirigir-se para o interior do Estado, o rio atravessa uma das regiões mais ricas da América do Sul. Limpas, claras e indomadas, as águas do Tietê transportaram, a partir do século XVII, os pioneiros bandeirantes. Quedas d'água, corredeiras, saltos e cachoeiras ao longo do rio - hoje praticamente todos submersos - eram alguns dos obstáculos a transpor nessa difícil empreitada.
 
Transporte urbano

Enquanto se conquistava o Planalto, na capital o rio garantia o transporte fluvial dos moradores, que podiam deslocar-se de barco, por exemplo, entre a Conceição de Guarus (Guarulhos) e o sítio Conceição da Sesmaria de Braz Cubas (Mogi das Cruzes). Descendo o rio, mais adiante, podiam chegar a uma aldeia chamada Nossa Senhora da Expectação do Ó (Freguesia do Ó) e, em seguida, alcançar as primeiras lavouras de Santana do Parnaíba. Em dias de forte chuva, durante as enchentes a cidade transformava-se numa "Veneza improvisada", sem perder seu charme. Ingazeiros lembrando chorões debruçavam-se sobre as margens do rio, fazendo sombra a quem tentasse fisgar lambaris num fim de tarde.
 
Parece mentira

No início do século XX, paulistanos divertiam-se nas águas do Tietê. Em dias de regata, a Ponte Grande, substituída pela Ponte das Bandeiras nos anos de 1940, era ponto de encontro da alta sociedade paulistana, que também freqüentava algum dos numerosos clubes instalados às margens do rio - o Regatas Tietê, o Floresta (Espéria), a Associação Atlética São Paulo ou a Clube Alemão. Em tempo de festas religiosas, era comum a população deslocar-se para o interior, onde o rio se tornava palco de comemorações, como o "encontro das canoas", na Festa do divino, na cidade de Tietê. O rio também sediava competições de natação. Em uma das últimas disputas na tradicional Travessia de São Paulo a Nado, nos anos de 1940, o robusto atleta carioca João Havelange, do Fluminense F. C., foi contaminado por suas águas já poluídas e pegou febre tifoide. Nunca mais ninguém ousou desfrutar o rio.


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