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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Morte lenta

Com o crescimento da cidade, o despejo de esgotos aumentou sem parar...
... somando-se à poluição causada pelas indústrias.
Resultado? Um rio morto.
Outro problema constante: as enchentes na época das chuvas.
As ações predatórias contra o Tietê começaram na época da colonização do território. Com o crescimento de São Paulo, a situação piorou. Na década de 1940, o rio já estava praticamente morto.

Ocupação predatória

A ocupação do território paulista se deu no litoral em direção ao planalto. Nos anos de 1580, o povoado de Santo André seria incorporado pela São Paulo do Campo ou de Piratininga, uma pequena aldeia localizada na "zona da serra-acima, banhada pelo Tietê", segundo documentos da época. Dali partiriam, entre 1580 e 1640, as Candeiras. Embora, já naquela época, o padre Anchieta ameaçasse excomungar quem fosse apanhado destruindo o manguezal, a ocupação deste espaço foi predatória. Mas a quem culpar? A busca pelo ouro empreendida pelos bandeirantes? As plantações de açúcar e de café do Estado? O progresso industrial de São Paulo?

Pá de cal

Para acompanhar a expansão urbana da região, o Tietê foi escolhido como o grande provedor de energia elétrica logo depois que a Light colocou em funcionamento uma rede de bondes metropolitanos em 1899. Além de São Paulo, a empresa canadense concessionária da exploração dos serviços urbanos na capital também passou a gerar e distribuir energia para outras oito cidades vizinhas. Segundo os estudiosos, essa foi a "pá de cal" que enterrou definitivamente o rio Tietê: a cidade cresceu, os transbordamentos se multiplicaram e o lixo se avolumou sem que ninguém realmente se preocupasse com a poluição de suas águas. Afinal, elas serviam apenas para gerar energia, nunca para beber.

Alguma retribuição

Mas os técnicos se surpreenderam quando, nos anos de 1940, constatou-se que a água do rio "queimava as plantas" ao ser utilizada para irrigar hortaliças e plantas ornamentais. E, pior: quando feitas as contas, descobriu-se que São Paulo teria de gastar cerca de 2,5 bilhões de dólares até 2010 para garantir o abastecimento público de água potável para a população. Turvas, contaminadas e represadas, as águas do rio espelham hoje o desinteresse da cidade pelo destino do Tietê. Além de um solitário jacaré de nome "Teimoso" e sua companheira tartaruga, vistos pela última vez em 1996, nada mais vive por lá, a não ser o esgoto doméstico ou industrial.



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