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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

O surgimento do cangaço

Lampião e Maria Bonita em dia de descanso e festa na caatinga.
As origens do cangaço confundem-se com o agravamento da fome e da miséria provocadas pela seca. A partir de 1877, os retirantes que vagavam pelo sertão roubando propriedades e vilas eram considerados bandidos. Para combatê-los, os fazendeiros armaram seus homens  chamados de cangaceiros e vistos como pilares da ordem. O cangaço mais conhecido, porém, é o dos grupos independentes dos fazendeiros, que viviam em confronto com as volantes.Antônio

Antônio Silvino

O primeiro chefe do cangaço foi Manoel Batista de Moraes, nome verdadeiro de Antônio Silvino (1875-1944). Nascido em Pernambuco, tudo o que ele arrecadava em suas investidas distribuía aos pobres. Preso em 1914, foi anistiado por Getúlio Vargas e tornou-se funcionário público.
 
Virgulino incendeia o sertão

O também pernambucano Virgulino Ferreira da Silva (1900?-1938) iniciou-se no cangaço em 1922. Ganhou o apelido de "Lampião", pois diziam que atirava tão rápido que "sua espingarda nunca deixava de ter clarão, tal qual um lampião". A companheira de Lampião, Maria Bonita, foi a primeira mulher a entrar para o bando. Sua presença impediu que os cangaceiros continuassem a estuprar as mulheres nas cidades que invadiam.

Denunciados por um comerciante da região de Angicos, em Sergipe, foram mortos em uma emboscada, em 1938. Antes disso, o casal tentou por três vezes abandonar o cangaço para tornar-se fazendeiro. Não deu certo. Perseguidos pela polícia, tinham sempre de abandonar a terra.



Massacre de Angicos

Em Angicos, Sergipe, Lampião foi denunciado por um comerciante. Ele, Maria Bonita e outros nove cangaceiros foram mortos e decapitados em uma emboscada (1938). O último líder do cangaço foi Cristiano Gomes da Silva Cleto, conhecido como "Corisco" ou "Diabo Louro". Ex-integrante do bando de Lampião, morreu em confronto em 1940. Sua morte pôs fim ao cangaço.

Cachoeira de Paulo Afonso, no rio São Francisco, tela de E.F. Schute, de 1850.
A experiência de Delmiro Gouveia

O comerciante Delmiro Gouveia construiu, em 1899, um mercado de alimentos e roupas em Recife. Comprava os produtos de pequenos fazendeiros e os revendia a preços baixos. As forças políticas locais mandaram incendiar o mercado em 1900.

Vila operária

Em 1912, Delmiro Gouveia inaugurou uma fábrica para produzir fios e linhas. Construiu uma vila operária que, em 1916, contava com 256 casas, quatro escolas e serviço médico. Os operários trabalhavam oito horas diárias, com descanso aos domingos e 13º salário, algo inexistente na época. Os avanços novamente desagradaram as elites. Delmiro Gouveia foi assassinado em 10 de outubro de 1917.


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