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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Um minuto memorável

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O 14-Bis era um biplano feito de bambu, alumínio e seda chinesa. Tinha 12 metros de envergadura e 10 metros de comprimento. Pesava, com o aviador, 220 kg e voava com motor de 50 HP. Para se ter ideia da potência do motor, o Uno Mille – carro popular de mil cilindradas – tem 58 HP de potência. Um pouquinho a mais que o 14-Bis.
"Um minuto memorável na história da navegação aérea", assim a publicação francesa L'Illustration saudou o feito do brasileiro Alberto Santos Dumont que, em 23 de outubro de 1906, com o biplano 14-Bis, levantou voo e concluiu trajeto de 60 metros, mantendo-se a uma altura de 3 metros do solo. Graças a essa proeza, realizada no Campo de Bagatelle, em Paris, Santos Dumont conquistou a Taça Archdeacon – oferecida a quem conseguisse voar pelo menos 25 metros, com um ângulo de queda máximo de 25 graus. Com isso, tornou-se o primeiro homem a voar em um aparelho mais pesado que o ar.

A comissão do Aeroclube da França ficou tão deslumbrada que esqueceu de cronometrar o tempo de voo e Santos Dumont teve de voar de novo. Em 12 de novembro, fez 220 metros em 21 segundos. Conquistou o primeiro recorde oficial da história da aviação e entrou para a história: deu asas ao homem e tornou-se o "Pai da Aviação".

Fascinação tecnológica
  
Santos Dumont e seu elegante guarda-roupa, que faria sucesso em Paris.
Antes de se apaixonar pela ideia de voar, Alberto Santos Dumont já era fascinado pelas máquinas. Nascido em 20 de julho de 1873, no distrito de Palmira (MG) – hoje, município que leva seu nome –, era o sexto filho do engenheiro Henrique Dumont. A mãe descendia de tradicional família mineira de Ouro Preto. Ainda criança, mudou-se para Ribeirão Preto, onde o pai fez fortuna com o café. Interessado em invenções tecnológicas, gostava de ler as mirabolantes aventuras de Júlio Verne e exercitava suas habilidades mecânicas nas máquinas da fazenda.

No ano da abolição da escravatura, Alberto e a família fazem uma visita a São Paulo. O rapaz, com 15 anos, vê pela primeira vez um feito inacreditável: num espetáculo público, um acrobata estrangeiro sobe aos céus num balão e depois atira-se de para-quedas. Alberto fica deslumbrado. Lembra-se das noites estreladas de São João, Santo Antônio e São Pedro e dos balões que ele e seus companheiros faziam e que uma pequena mecha aquecida elevava aos céus.

No início da década de 1890, Henrique Dumont sofre um acidente e fica hemiplégico. Em busca de tratamento, a família vende as propriedades e parte para a França. Em Paris, Alberto visita a Exposição do Palácio das Indústrias, que comemora a chegada do século XX. Lá, vê o motor de combustão interna. "Parei diante dele como pregado pelo destino", escreveria anos mais tarde. Maravilhas como aquelas já andavam pelas ruas dentro dos raros automóveis. Alberto compra um modelo Peugeot. Regressa ao Brasil e circula por São Paulo com seu automóvel – um dos primeiros do país.


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