Busca  
  Personalidades   
Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Brasil nos céus de Paris

Santos Dumont prepara-se para decolar em um balão, em Paris.
Pouco antes de morrer, o velho Henrique Dumont emancipa o filho Alberto e entrega-lhe sua parte da herança. Em 1882, Santos Dumont parte para a França. Em Paris, estuda e viaja com frequência. A aeronáutica, hobby da nobreza, fascina-o. Quer subir num balão, mas seus amigos o apavoram com os perigos da aventura e com os preços dos passeios. Um baloneiro pediu-lhe 1.000 francos para levá-lo a voar e ainda teria de pagar todos os estragos que fossem causados pelo balão em sua volta à terra. Desistiu.

Anos depois, lendo um livro em que o engenheiro Lachambre descrevia um balão que construíra, toma a decisão e procura o autor. Por 250 francos levaria Santos Dumont para um passeio. "Tinha chegado a vez. Fiquei estupefato diante do panorama de Paris vista de grande altura; nos arredores, campos cobertos de neve... Era inverno. Durante toda a viagem acompanhei as manobras do piloto; compreendia perfeitamente a razão de tudo o que ele fazia. Pareceu-me que nasci mesmo para a aeronáutica. Tudo se apresentava muito simples e muito fácil; não senti vertigem, nem medo. E tinha subido...".

A partir daí, divide seu tempo entre subidas em balão – só em 1898, faz mais de trinta passeios – e corridas de automóveis. Freqüenta o Aeroclube Francês e passa a aperfeiçoar um novo e revolucionário balão. Segundo o próprio Santos Dumont, esse seria "o menor, o mais lindo, o único que teve nome – Brasil". Em 4 de julho de 1898, o balãozinho Brasil eleva-se nos ares. Alguns meses depois, atravessa Paris.

Antes de se aventurar com os biplanos, o brasileiro faz muitas experiências com balões a gás e promove disputas de triciclos motorizados. Aos poucos, Santos Dumont fica famoso. Toda Paris fala do pequeno – tinha menos de 1,60 metro –, magro, bigodudo brasileiro. Seu chapéu e sua maneira de vestir-se transformavam-se em moda.

Inventor de talento

Santos Dumont contorna a Torre Eiffel com o SD-5.
No final da década de 1890, Santos Dumont começa a aperfeiçoar um pequeno motor a gasolina e instala-o no novo balão, o Santos Dumont nº 1, conhecido como SD-1. Seguem-se os balões SD-2, SD-3 e assim por diante. Mas jamais existiu um SD-8. Supersticioso, Santos Dumont achava que esse número dava azar.

Em 1900, participa do Prêmio Deustsch de la Meurthe: 100 mil francos para o primeiro que, partindo de Saint Cloud, contornasse a Torre Eiffel e retornasse em 30 minutos. Faz a primeira tentativa com o SD-5 e escapa por pouco da morte, depois de uma colisão no telhado do Hotel Trocadero. A conquista do prêmio dá-se em 19 de julho de 1901, com o SD-6. O dinheiro ganho é distribuído entre seus mecânicos e os pobres da cidade.

Com a conquista do prêmio Deutsch, o brasileiro torna-se conhecido da imprensa internacional. Nessa época, a princesa Isabel, exilada na Europa desde a Proclamação da República, envia a Santos Dumont uma medalha de São Bento para protegê-lo de acidentes. Ele passa a usá-la numa pulseira.

Fique ligado!

Santos Dumont subvencionava suas atividades aeronáuticas com o próprio dinheiro – em 1901, encher um balão de 620 metros cúbicos com hidrogênio custava aproximadamente 500 dólares.


Anterior Início Próxima