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Centralismo e autonomia regional na República

Deputados do PRP, em 1882. Em pé (da esquerda para a direita), Martinho Prado Jr., Campos Salles e Gabriel Toledo Piza de Almeida. Sentados, Francisco Rangel Pestana, Prudente de Morais e Antônio Gomes Pinheiro Machado.
Com a Proclamação da República, a primeira mudança foi a extinção do Poder Moderador. Além disso, os políticos do Partido Republicano Paulista (PRP) e os militares tinham diferentes visões sobre o federalismo. Enquanto os republicanos queriam aumentar a autonomia dos Estados, os militares lutavam pelo fortalecimento do Poder Central. A presença de Deodoro da Fonseca na Presidência indicava que a autonomia desejada pelos políticos civis ficaria apenas no papel.

A atuação do Partido Republicano Paulista

Logo após a instalação do primeiro governo republicano, o poderoso Partido Republicano Paulista (PRP) decidiu fazer oposição a Deodoro, que também enfrentou rebeliões militares e acabou renunciando em 23 de novembro de 1891. Assumiu o vice, Floriano Peixoto, que ignorou a determinação constitucional de convocar novas eleições. Ele só pôde fazer isso porque contava com o apoio das Forças Armadas e dos políticos paulistas do PRP – grupos de interesses que realmente pesavam no início da República.

Surge a República do Café-com-Leite
O marechal Deodoro da Fonseca e os primeiros ministros da República.

Em troca do apoio dos republicanos, Floriano Peixoto permitiu que os Estados arrecadassem impostos de exportação (especialmente do café) e fizessem empréstimos externos sem a mediação do governo central. Assim, consolidava-se o poder dos fazendeiros. Mesmo aparentando uma divisão mais democrática do poder do que aquela que predominou em épocas anteriores, os proprietários de terras do Sudeste do país passaram a exercer sua hegemonia no Poder Central.

Após os governos militares (1889 a 1894), representantes de São Paulo e Minas Gerais revezaram-se na Presidência, estabelecendo a República do Café-com-Leite. Os interesses de outros Estados ficavam em segundo plano.








Com capital acumulado na exportação do café, o Sudeste dominava a cena política nacional e podia expandir a indústria. Concentrando a produção industrial na região, a tendência era de centralizar o poder político nas mãos dos agricultores e industriais do Sudeste, comprometendo ainda mais o federalismo republicano.

Cai o preço do café, cai a República Velha

Getúlio Vargas e Gustavo Capanema (à esquerda), ministro da Educação, em 1939.
Com todas as atenções voltadas para o café, criava-se um impasse: quando o preço desse produto caía no exterior, a moeda se desvalorizava e toda a população pagava a conta. Enquanto foi governador de São Paulo (1920 a 1924), Washington Luís criou o Instituto Paulista da Defesa Permanente do Café. Esse órgão tinha a função de negociar empréstimos no exterior e promover uma política de estoques. Isto é, a safra era comprada pelo governo, que assumia o compromisso de comercializá-la ou esperar que o preço subisse
 
Na Presidência da República, Washington Luís (1926 a 1930) tinha entre seus ditados preferidos 'O café dá para tudo'. Mas não dava. A Crise da Bolsa de Nova York, em 1929, derrubou o preço do café drasticamente, provocando uma quebra em série em todo o mundo.


A Revolução de 1930

A proteção aos cafeicultores de São Paulo e Minas Gerais, em prejuízo do federalismo e dos outros segmentos da economia, e ainda a crise de 1929 foram as causas da Revolução de 1930. Com a revolta, a Era do Café-com-Leite chegou ao fim e Getúlio Vargas assumiu o poder.


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