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Perseguição e morte

Getúlio Vargas e Adhemar de Barros, interventor federal no Estado de São Paulo entre 1938 e 1941.
No Estado Novo, o Legislativo deixou de existir: decretos-leis assinados pelo presidente substituíram os atos do Congresso, das Assembleias Legislativas e das Câmaras Municipais. As eleições foram suspensas e os governadores passaram a ser nomeados diretamente por Vargas. Os partidos foram extintos e os opositores, presos ou exilados. A polícia do Rio de Janeiro, ainda a capital do país, chefiada por Filinto Müller, incumbiu-se de torturar os presos – especialmente os comunistas.

Olga Benário, um caso único

Filinto Müller lutara na Coluna Prestes, que percorreu o Brasil na década de 1920 liderada por Luís Carlos Prestes. Por ordem do líder, Müller foi afastado, acusado de covardia e deserção. Ao mudar de lado e passar a chefe de polícia do Estado Novo, perseguiu seu antigo chefe e entregou a alemã Olga Benário, esposa de Prestes, aos nazistas. Como milhões de judeus naquela época, Olga morreu em uma câmara de gás em 1942, na Alemanha. Abaixo, um trecho de sua última carta à filha Anita Leocádia, nascida enquanto Olga estava em uma prisão nazista, em Berlim, e ao marido, a quem chamava de "Garoto":

Querida Anita, meu querido marido, meu Garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém me ouça, pois parece que hoje as forças não conseguem alcançar-me para suportar algo tão terrível. É precisamente por isso que esforço-me para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo nas últimas e difíceis horas. Depois desta noite, quero viver para este futuro tão breve que me resta. De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão por que se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. No entanto, podem ainda acontecer tantas coisas... Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Beijo-os pela última vez.

MORAIS, Fernando. Olga. 3. ed. São Paulo: Alfa-Omega, 1985. p. 294.

A nova ordem
Cartilha do DIP para Crianças, de 1941.

Sem poder de manifestação, a sociedade comportava-se passivamente. O Estado Novo acabou com a autonomia regional e eliminou as garantias democráticas.

Para Vargas, a democracia só era possível com um governo forte. Essa interpretação, baseada no autoritarismo e em sua visão particular do mundo, instaurou uma das ditaduras mais cruéis da história do Brasil.










Propaganda do regime Declínio do Estado Novo - Cultura popular

O Estado Novo trouxe para o cotidiano a propaganda política. Em 27 de dezembro de 1939, Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão responsável pela censura e pela divulgação da política de comunicação da ditadura junto à sociedade. Seu principal objetivo era atrair a população – especialmente os trabalhadores – para o jogo político dominado pelo governo. A propaganda do DIP negava os problemas de classe, afirmando que o Estado concedia ao trabalhador tudo o que era necessário para sua vida.

Funcionário do Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP, órgão de divulgação da política oficial do governo.
Vargas usou a Cartilha do DIP para fazer chegar suas doutrinas às crianças brasileiras.

Os meios de comunicação


Todos os meios de comunicação de massa foram usados para divulgar essa imagem. Surgiram as transmissões radiofônicas de A Hora do Brasil e o Cinejornal Brasileiro, que mostravam discursos do presidente, inaugurações de obras, desfiles e cerimônias oficiais. Os programas eram exibidos, obrigatoriamente, antes das sessões de cinema.


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