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O Brasil às vésperas da Carta de 1988

Havia muitas expectativas em torno da nova Constituição. Elas eram consequência do empenho com que a sociedade civil, após tantos anos de ditadura militar e impossibilidade de participação política, lutou para reaver seus direitos.

Uma abertura lenta e gradual

A oposição e as manifestações populares contrárias à ditadura militar começaram a se fortalecer no final da década de 1970. Multiplicaram-se as greves dos trabalhadores urbanos, aumentou a indignação geral contra as torturas de presos políticos e cresceu o desembaraço da imprensa em revelar os porões do regime.

Isso obrigou os dois últimos governos militares – dos generais Ernesto Geisel e João Figueiredo – a abrir o regime, no chamado processo de abertura lenta e gradual.


Um processo considerado muito lento por entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pela Igreja Católica e pelos políticos exilados, que voltaram ao país com a Anistia, em 1979.

A campanha das Diretas-Já

No final de 1983, a campanha pedindo eleições diretas para presidente levou milhões de pessoas às ruas, em passeatas e comícios que se espalharam por todo o país. Nos palanques reuniram-se diferentes personalidades que se opunham ao regime militar: representantes dos partidos de esquerda, grandes lideranças do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), de oposição, e parlamentares que haviam apoiado o regime até pouco tempo atrás.

Mas o Congresso Nacional não aprovou a mudança, frustrando o país e mantendo as eleições indiretas para presidente.



Lançamento da candidatura da chapa Tancredo Neves e José Sarney à Presidência da República, pelo voto indireto.
Tancredo é eleito e Sarney toma posse


Tancredo Neves, candidato de uma frente ampla de partidos de oposição, venceu com facilidade seu oponente Paulo Maluf, o candidato identificado com o regime militar e com as forças sociais mais conservadoras do país. Antes de assumir a Presidência, Tancredo Neves adoeceu e morreu. Em seu lugar, assumiu o vice-presidente José Sarney, que convocou a Assembleia Nacional Constituinte para 1986 e governou até 15 de março de 1990.


O deputado Ulysses Guimarães em comício pelas Diretas-Já.
Eleições diretas em 1989


A primeira eleição direta para a Presidência em 29 anos, feita em dois turnos, foi a mais concorrida da história da República. Teve 24 candidatos e votaram cerca de 82 milhões de pessoas, ou 88% do eleitorado. Fernando Collor de Mello, do Partido da Renovação Nacional (PRN), e Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), passaram para o segundo turno.

Collor venceu nessa etapa e assumiu a Presidência em 15 de março de 1990, para um mandato de cinco anos. Mas foi afastado provisoriamente do cargo em 29 de setembro de 1992, após uma série de escândalos e denúncias de corrupção.



O impeachment de Collor
Afastado da Presidência, Fernando Collor de Mello foi julgado pelo Congresso. O processo de impeachment, aberto na Câmara em 29 de setembro de 1992, foi encerrado em 29 de dezembro do mesmo ano, com a condenação do presidente e a sua renúncia. Em seu lugar, assumiu o vice-presidente Itamar Franco, que conduziu o país até a eleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1994.


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