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A Confederação do Equador

Autonomia pernambucana

'Engenho de Pernambuco', óleo sobre painel de Frans Post.
Em 1822, as juntas portuguesas que governavam as Províncias coloniais foram depostas. Em Pernambuco, isso se fez com muita autonomia. Para frear essa autonomia, o ministro José Bonifácio de Andrada e Silva empossou outro governo, formado pela aristocracia mais conservadora. Em 1824, a outorga da Constituição foi um novo golpe contra os liberais, restringindo a representação política.

A luta verbal

Essas manobras aumentaram a oposição ao governo imperial. As disputas políticas durante o Império frequentemente começavam nas páginas dos jornais e terminavam em armas.

Em Pernambuco não era diferente. Os jornais 'Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco', de Cipriano Barata, e 'Tífis Pernambucano', de Frei Caneca, atacavam o governo imperial.


Barata e Caneca

O jornalista Cipriano José Barata de Almeida, que já participara da Conjuração Baiana, em 1798, e da Revolução Pernambucana de 1817, escrevia contra o fechamento da Constituinte. Preso de 1823 a 1830, no Rio de Janeiro, Cipriano Barata não lutou diretamente na Confederação do Equador. O jornal de Joaquim do Amor Divino, o Frei Caneca, também representava a insatisfação dos pernambucanos com a dependência das Províncias em relação ao governo central, apontando o imperador como 'a chave mestra da opressão da Nação Brasileira'.

D. Pedro I reage e fracassa

Para abafar a oposição em Pernambuco, D. Pedro I substituiu Manuel de Carvalho Pais de Andrade, presidente eleito pelo voto, por Francisco Pais Barreto. As Câmaras Municipais de Recife e de Olinda não reconheceram a troca. Pais de Andrade ficou no poder e rompeu com o Rio de Janeiro, proclamando a Confederação do Equador em 2 de julho de 1824.

Surge outro país

A Igrejinha do Oiteiro, construída no século XVIII, em Porto de Galinhas, Pernambuco.
Pais de Andrade adotou provisoriamente a Constituição da Colômbia, abolindo a Monarquia e criando os poderes Executivo e Legislativo. O regime seria republicano e reuniria, de início, sob forma federativa, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. A insatisfação com o governo imperial não vinha só de Pernambuco. Logo, outras províncias aderiram aos confederados e enviaram reforços:

- Paraíba. 
- Rio Grande do Norte. 
- Ceará, que também organizou tropas para defender a Confederação.

Insatisfações populares

Além das elites, havia em Pernambuco as brigadas de homens livres e pobres, que se opunham ao domínio português e à discriminação racial, desde 1821. Em 1823, essas brigadas levantaram-se, amedrontando os brancos de Recife com suas armas e baladas (como a que é reproduzida abaixo) que previam a supremacia dos negros e mestiços. Em 1824, vendo-se excluídos do direito de voto pela Constituição, ficaram mais insatisfeitos

Recuo e repressão

O liberalismo não tinha raízes tão profundas entre os proprietários pernambucanos. Considerando as propostas do governo e a violência das manifestações populares, os líderes da aristocracia — inclusive Pais de Andrade — afastaram-se da Confederação. Isso enfraqueceu o movimento, que passou a ser atacado por tropas mercenárias e navios ingleses, contratados por D. Pedro I. Em novembro de 1824, foram presos no Ceará os últimos insurgentes.

'Marinheiros e Caiados
Todos devem se acabar.
Porque só pardos e pretos
O país hão de habitar.
Qual eu imito Cristóvão
Esse imortal haitiano,
Eia! Imitai o seu povo
Oh, meu povo soberano.'


O castigo exemplar

A maior parte dos envolvidos na Confederação do Equador foi condenada à morte por um tribunal criado especialmente por D. Pedro I para julgar os revoltosos. Frei Caneca recebeu a pena de morte por sua atuação como jornalista e combatente. Ele deveria morrer no cadafalso, mas por causa de sua enorme popularidade nenhum carrasco apareceu para enforcá-lo. Caneca acabou sendo fuzilado.

Divisões da Regência:

•  Regência Trina Provisória (de 7 de abril a 17 de junho de 1831): instituída durante as férias do Senado e da Câmara.

• Regência Trina Permanente (1831 a 1835): criada com representação geográfica e não política.

• Regência Una de Diogo Antônio Feijó (1835 a 1837): eleito em junho de 1835, após o Ato Adicional de 1834 que criou a Regência Una Eletiva, o padre Feijó governou até 1837, quando renunciou.

• Regência Una de Pedro de Araújo Lima (1837 a 1840): o novo regente deveria governar até 1842, mas o Golpe da Maioridade, em 1840, pôs fim ao período regencial.



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