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A Balaiada

Motivos do desgosto maranhense

Construções do século XIX na cidade de Alcântara, no Maranhão.
O Maranhão também se rebelou durante a Regência. Como agravante, a população revoltou-se contra o recrutamento compulsório de homens para lutar na Guerra da Cisplatina, desde 1825, contra as prisões sem motivo e contra o domínio violento dos latifundiários sobre a população livre, pobre ou escrava.

O estopim da Balaiada

A revolta maranhense começou com um fato aparentemente banal. Em 13 de dezembro de 1838, Raimundo Gomes Vieira, vaqueiro da fazenda do padre Inácio Mendes de Morais e Silva, invadiu a cadeia da Vila de Manga para libertar o irmão, acusado de assassinato. Vieira — apelidado de 'Cara Preta' — libertou o irmão e os outros presos, com o apoio dos carceireiros. O bando foi perseguido mas as autoridades não conseguiram render os fugitivos. Gerada pelas insatisfações populares, a Balaiada não se sustentava ideologicamente por interesses políticos específicos.

O rastilho de pólvora

Ao se espalharem pelo interior, os revoltosos receberam uma ajuda inesperada. Às margens do rio Itapicuru viviam mais de 20 mil escravos. Muitos fugiram das propriedades e se uniram aos revoltosos, que também receberam apoio dos quilombolas (ex-escravos que viviam em quilombos). Um dos líderes do movimento foi Cosme Bento das Chagas, conhecido como 'Preto Cosme'. Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, um artesão que fazia balaios, aderiu e dividiu a liderança com Cosme, motivado pelas arbitrariedades do governo local. Daí o nome Balaiada.

Massacre da Balaiada

Em outubro de 1839, os balaios tomaram a cidade de Caxias, no Maranhão, a mais importante depois da capital. A repressão chegou logo. Uma tropa de 2 mil homens, comandados por Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias — nomeado presidente da Província —, acabou com a resistência dos balaios. Raimundo Gomes foi preso, Manoel Francisco dos Anjos e o Preto Cosme foram mortos. A luta seguiu até 1841, quando D. Pedro II anistiou os sobreviventes.


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