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Revolta dos Malês

Nas três primeiras décadas do século XIX, os escravos rebelaram-se diversas vezes na Bahia. Lutaram contra a escravidão e a imposição da religião católica, já que muitos eram muçulmanos, da África Ocidental, conhecidos como 'malês'.

Eles tinham um alto nível cultural, muitos sabiam ler e escrever em árabe. Organizavam-se de forma quase militar e só perdiam as batalhas porque eram delatados. Os negros baianos inspiraram-se na vitoriosa revolta de escravos no Haiti.
O poeta Luiz Gama, filho de uma participante da Revolta dos Malês: lutou pela abolição.


O episódio mais violento aconteceu em 24 de janeiro de 1835, quando cerca de 1.500 escravos se revoltaram em Salvador. A Revolta dos Malês foi o maior levante urbano de escravos nas Américas. A insurreição durou apenas algumas horas — tempo suficiente para apavorar os brancos e as autoridades da Bahia e de todo o Brasil.

 
O grito de guerra dos quilombolas: 'O Balaio chegou! O Balaio chegou. Cadê branco! Não há mais branco! Não há mais sinhô!


A repressão à revolta

A repressão à Revolta dos Malês foi sangrenta. Durante os conflitos, sete soldados e 70 negros morreram e um grande número foi ferido. Abriu-se um processo que levou 281 negros à prisão. Cinco deles foram enforcados. Cerca de 500 outros, que não estavam nomeados no processo, foram expulsos do país, retornando à África.

O que pretendiam os escravos


O objetivo dos escravos e libertos que se revoltaram em Salvador, em 1835, aparece claramente nos interrogatórios que se seguiram. Eles queriam matar os brancos e obter liberdade para seus cultos religiosos. O processo contra os africanos registra o depoimento de Pedro, escravo do médico inglês Robert Dundas, residente na Bahia em 1835:

'Às 7 e meia da noite do dia 24 de janeiro saíra da casa de seu senhor e se dirigira para a Estrada da Graça. Em caminho falou com Jaimes e Diogo, escravos do inglês José Mellors os quais lhe convidaram para estar pronto para o folguedo de matar branco, e seguindo até a Estrada da Graça a casa do inglês Frederico Robelliard aí falara com os escravos deste, Carlos e Tomás, para estarem prontos à hora do folguedo. E dali se encaminhou para os Barris e em caminho já encontrara com Pedro e Miguel, escravos do inglês José Mellors e muitos outros que se reuniam e chegando aos Barris em casa do inglês Mellors tomara a Carlos seu parceiro e vieram a se reunir às Mercês onde no meio do fogo foi ferido.'

Devassa do Levante de Escravos ocorrido em Salvador em 1835, in João José Reis, 'Rebelião Escrava no Brasil: a História do Levante dos Malês (1835)'. São Paulo, Brasiliense, 1986, p. 142


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