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Entre a França e a Inglaterra

No final do século XVIII, Inglaterra e França disputavam a liderança no continente europeu. A Inglaterra industrializada era uma nação muito rica, que precisava cada vez mais de mercados para seus produtos. A França não tinha tantas fábricas, mas contava com um exército poderoso, comandado por Napoleão Bonaparte. Para a França, a melhor maneira de se tornar a nação mais importante da Europa era sufocar a economia inglesa. Assim, em 1806, Napoleão decretou o Bloqueio Continental, proibindo todos os países europeus de comercializar com a Inglaterra. Quem fizesse negócios com a rival seria invadido pelo exército francês.

Para Portugal, a situação ficou difícil. Afinal, a Inglaterra era uma aliada importante e um país para o qual o Império Português devia muito dinheiro. Por outro lado, o exército francês era poderoso. Como o governo português não decidia de que lado ficava, em 1807 o imperador francês Napoleão Bonaparte ordenou a ocupação de Portugal. Para a Corte de Lisboa havia duas opções: aceitar o domínio napoleônico ou partir para o Brasil.  

Uma fuga e tanto
  
Sem saída, o governo português fez um acordo secreto com os ingleses, que se comprometeram a ajudar a família real e a Corte portuguesa na fuga. Cerca de 15 mil pessoas abandonaram Portugal às pressas. Na manhã de 29 de novembro de 1807, oito naus, quatro fragatas, três brigues, uma escuna e outras embarcações partiram do rio Tejo, em Lisboa, sob proteção inglesa. Na bagagem, traziam tudo o que puderam carregar – móveis, objetos de arte, louças, livros, arquivos e dinheiro do tesouro imperial. Em 22 de janeiro de 1808, chegaram a Salvador, na Bahia. Lá, eles foram festejados durante algumas semanas. Mas o destino final era a capital da colônia, o Rio de Janeiro, onde D. João VI e sua comitiva desembarcaram no dia 8 de março de 1808.

Vista do Rio de Janeiro: Tomada dos Arredores da Igreja de Nossa Senhora da Glória, quadro de J.M. Rugendas.


Viva o comércio!
   
A primeira medida de D. João – ainda em Salvador – foi a abertura dos portos do Brasil às nações amigas. Quer dizer: a partir dessa data, os produtos exportados para o Brasil não precisavam mais passar por Portugal e os portos brasileiros receberiam pela primeira vez navios com bandeiras das nações que mantinham boas relações com Portugal. Isso foi muito importante, pois a colônia começou a entrar em contato com os produtos e com as ideias que circulavam em outras partes do mundo. Os portos do Brasil passaram a ter mais importância para os ingleses, que tinham dificuldades para comerciar na Europa devido ao Bloqueio Continental de Napoleão. Entusiasmados, os comerciantes estrangeiros trouxeram de tudo: tecidos, sapatos, talheres, louças, cristais, chapéus, cachimbos, xales, ferragens, queijo, manteiga, escovas, pentes, navalhas, perfumes, sabonetes, velas, pianos, carruagens, barbantes e caixões, além de produtos inúteis como carteira para notas (aqui só havia moedas), patins para gelo, casacos de pele e tecidos de lã pesada, inadequados para nosso clima quente.

Fique ligado! 

Antes da chegada da família real, o Brasil era obrigado a seguir uma série de condições:
• A proibição de comerciar com outros países, a não ser Portugal.
• Qualquer comércio entre Brasil e Portugal só podia ser feito por pessoas autorizadas.
• No território brasileiro, não podiam ser plantados produtos que já fossem cultivados em Portugal, nem fabricar artigos que fossem feitos por lá.


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