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Mais cultura para o Brasil

Além das mudanças comerciais, a chegada da família real ao Brasil também causou um rebuliço cultural e educacional. Nessa época, foram criadas escolas como a Academia Real Militar; a Academia da Marinha; a Escola de Comércio; a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios; a Academia de Belas-Artes; e dois Colégios de Medicina e Cirurgia, um no Rio de Janeiro e outro em Salvador. Foram fundados o Museu Nacional, o Observatório Astronômico e a Biblioteca Real, cujo acervo era composto por muitos livros e documentos trazidos de Portugal. Também foram inaugurados o Real Teatro de São João e o Jardim Botânico. Uma atitude muito importante de D. João foi a criação do Banco do Brasil e da Imprensa Régia. Esta última editou obras de vários escritores e traduções de obras científicas. Foi um período de grande progresso e desenvolvimento.

O Observatório Astronômico do Rio de Janeiro foi uma das contribuições de D. João VI à ciência natural no Brasil.


Ciúmes do lado de lá
 
Tanto movimento por aqui provocou a indignação do outro lado do Atlântico. Afinal, o Brasil deixara de ser uma simples colônia. Nosso país tinha sido elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. Quer dizer, enquanto a família real esteve por aqui, a sede do reino foi o Rio de Janeiro, que recebeu muitas melhorias. Enquanto isso, em Portugal, o povo estava empobrecido com a guerra contra Napoleão e o comércio, bastante prejudicado com a abertura dos portos brasileiros. Os portugueses estavam insatisfeitos e, em 1820, estourou a Revolução Liberal do Porto – cidade ao norte de Portugal. Os rebeldes exigiam a volta de D. João e a expulsão dos governantes estrangeiros. Queriam também que o comércio do Brasil voltasse a ser feito exclusivamente pelos comerciantes portugueses. Cedendo às pressões de Portugal, D. João voltou em 26 de abril de 1821. Deixou, contudo, seu filho D. Pedro como regente do Brasil. Assim, agradava aos portugueses e aos brasileiros que tinham lucrado com a vinda da Corte portuguesa para o Brasil, especialmente com a abertura dos portos.

Um dos grandes acontecimentos na Corte foi o casamento de D. Pedro I com a princesa austríaca dona Leopoldina em 1817. Jean-Baptiste Debret registrou esse fato na tela Desembarque da Princesa Leopoldina.


Fique ligado! 

Em Portugal, uma nova Constituição começou a ser feita para o Império Português. Só que, para a elaboração do documento, o Brasil, como Reino Unido, teria direito de enviar seus deputados. Os portugueses não aceitavam essa hipótese e começaram a pressionar para que o Brasil voltasse a ser colônia, pois isso favoreceria seus interesses. Os brasileiros não aceitaram, queriam liberdade para comerciar e governar.


O Dia do Fico

A situação do Brasil permaneceu indefinida durante o ano de 1821. No final desse ano, um fato novo redefiniu a situação: chegaram ao Rio de Janeiro decretos da Corte que exigiam a completa obediência do Brasil às ordens vindas da metrópole. No dia 9 de dezembro de 1821, o governo brasileiro voltou a ser dependente de Portugal. D. Pedro recebeu ordens para voltar a Portugal, mas o Partido Brasileiro – grupo formado por grandes fazendeiros, comerciantes e altos funcionários públicos – convenceu-o a ficar. O regente recebeu listas com assinaturas de cerca de 8 mil pessoas pedindo que ele permanecesse no Brasil. Em 9 de janeiro de 1822, apoiado pelas províncias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, D. Pedro decidiu permanecer. Ele foi à sacada e disse: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico!". Essa data ficou conhecida como o Dia do Fico.

Estátua de D. Pedro I, no Museu Paulista.
A carta de José Bonifácio


No dia 16 de janeiro de 1822, D. Pedro nomeou José Bonifácio de Andrada e Silva ministro dos Negócios do Interior, da Justiça e dos Estrangeiros. Nos meses seguintes, o apoio do Partido Brasileiro a D. Pedro e o movimento de independência cresceram bastante, principalmente na região Sudeste. Por outro lado, a Corte de Lisboa continuava exigindo a volta do príncipe regente. Mais uma vez ele desafiou Portugal: determinou que as ordens de Lisboa só teriam validade no Brasil depois de passar por suas mãos e receber autorização, o que ficou conhecido como "Cumpra-se". Diante dessa medida, o príncipe regente recebeu do Senado da Câmara do Rio de Janeiro o título de "Defensor Perpétuo do Brasil". No dia 7 de setembro, às margens do riacho Ipiranga, ele leu uma carta de Portugal que exigia seu retorno imediato e outra de José Bonifácio que dizia: "Só existem dois caminhos: ou voltar para Portugal como prisioneiro das cortes portuguesas ou proclamar a independência, tornando-se imperador do Brasil".


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