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Rio de Janeiro em 1800

Quando a Corte portuguesa chegou ao Rio de Janeiro, a cidade tinha apenas 50 mil habitantes – isso equivale a uma pequena cidade de interior, nos padrões atuais. Um lugarejo pacato, sem muitos atrativos culturais ou econômicos.

Vista do Rio de Janeiro: Tomada dos Arredores da Igreja de Nossa
Senhora da Glória, de J.M. Rugendas.


Natureza exuberante

A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi fundada em 1º de março de 1565 por Estácio de Sá. Tornou-se capital do Brasil em 1763, devido à importância do porto, que enviava o ouro de Minas Gerais para Portugal e recebia escravos e produtos manufaturados. No início do século XIX, o Rio ainda era uma pacata cidade colonial, notável pela exuberância de sua natureza. Espremida entre a praia e a montanha, possuía cerca de 50 mil habitantes espalhados por 46 ruas, quatro travessas, seis becos e 19 largos. A iluminação pública era feita com lamparinas de óleo de baleia. O aqueduto da Lapa ou da Carioca alimentava os chafarizes, onde os escravos iam buscar água potável para seus senhores ou para vendê-la a quem precisasse.

O quadro Loja de Rapé, de Debret (1823) retrata bem a paisagem urbana do Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX. Os escravos, cerca de um terço da população, eram maioria nas ruas.


Aguadeiros e ambulantes

Poucas opções de lazer
O lazer girava em torno de missas, procissões ou festas religiosas.
A vida cultural era restrita aos mosteiros; não havia cursos superiores, não se publicavam livros ou jornais.
Com a vinda da Família Real portuguesa, este simplório Rio de Janeiro se tornaria, em pouco tempo, uma cópia das cidades europeias.
As ruas da cidade eram dominadas pelos escravos, que constituíam aproximadamente um terço da população. Além de aguadeiros – responsáveis pelo transporte da água –, eles também eram vendedores ambulantes, carregadores e artesãos. Eram os 'negros de ganho', que deviam entregar a maior parte do que recebiam a seus proprietários, mantendo-se com o que sobrava.

As pessoas pobres viviam no centro, em casas pequenas, com uma só janela com grades de madeira ripada. Sentavam-se em esteiras e dormiam em redes.

Os ricos moravam em casas de dois andares, em que o térreo era usado como loja, depósito ou habitação para escravos. Em geral, preferiam bairros mais afastados, como Botafogo ou Catete.


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