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O extermínio de um povo

Num ponto, não existem dúvidas entre os diversos historiadores: a Guerra do Paraguai teve como resultado o extermínio da população masculina do país. As versões sobre o número final de mortos variam muito. Algumas fontes sustentam que cerca de 600 mil paraguaios, na sua maioria civis, e mais 100 mil brasileiros, 18 mil argentinos e 8 mil uruguaios tenham perdido a vida. Outros autores registram cerca de 231 mil paraguaios mortos em um universo populacional de aproximadamente 406 mil habitantes. Ao final dos confrontos, cerca da metade dos habitantes do Paraguai havia morrido e toda sua população adulta masculina praticamente foi extinta.
As consequências para o povo paraguaio foram gravíssimas. Cinquenta anos após o término da guerra, havia aproximadamente quatro mulheres para cada homem no país. A economia paraguaia sofre com as consequências até os dias atuais. O país transformou-se em um Estado submisso aos desígnios das potências regionais, perdeu trechos significativos de seu território para os vencedores e ficou endividado.
 
 
Quadro comparativo de mortes em guerras
GuerrasNº aproximado de mortosPopulação aproximada do paísMortos em relação à população total
Paraguai (1864-1870) 231 mil (Paraguai)406 mil 57%
Civil Americana (1861-1865)600 mil (total)31 milhões 1,9%
Irã/Iraque (1980-1988) 600 mil (Irã)49,5 milhões1,21%
Golfo (1991) 107 mil (Iraque) 18,4 milhões 5,8%
 
 
Para o Brasil, o resultado também trouxe problemas, como o endividamento brutal que o país contraiu com a Inglaterra para financiar a guerra. Estima-se que a cifra tenha superado os 45 milhões de libras esterlinas. O quadro abaixo mostra como as despesas do Império cresceram durante a guerra sem que a receita aumentasse na mesma proporção, resultando num déficit de quase 300 mil contos de réis:


Receita e despesa do Império do Brasil durante a Guerra do Paraguai
Anos  Receita (contos de réis)Despesa
1863/186458.356.845$21059.393.004$568
1864/186561.058.419$86286.325.372$087
1865/1866 63.511.500$842125.366.074$524
1866/186770.086.253$534124.489.259$163
1867/186875.668.416$862169.536.838$075
1868/186992.586.038$574154.558.272$061
1869/1870101.335.401$827102.405.859$794
Total 522.602.876$711822.074.680$272
Déficit total de 1863 a 1870: 299.471.803$561
Fonte: Julio José Chiavenatto, Genocídio Americano: A Guerra do Paraguai, Ed. Brasiliense.
 
 
Empréstimos ingleses ao Brasil
1825-18646.208.192 libras
186511.529.388 libras
1866-187031.000.000 libras
Fonte: Julio José Chiavenatto, A Guerra Contra o Paraguai, Ed. Brasiliense.


 

Você sabia?

Segundo o decreto 3.513 de 12 de setembro de 1865, que regulamentava a lei 1.101, quem não quisesse ir para a Guerra do Paraguai deveria pagar a quantia de 600 mil réis ou apresentar alguém em seu lugar. Com frequência, nobres mais ricos compravam um substituto, pagando um valor menor e o apresentavam ao Exército. A precária situação das forças militares brasileiras no Paraguai revoltou até o Duque de Caxias, que a denunciou em carta ao imperador e, em 1869, demitiu-se do comando do Exército.




A guerra também acelerou o processo de abolição da escravatura e a proclamação da República, ambos consequências do aumento do prestígio do Exército. Antes visto como um reduto de excluídos e vagabundos, após a guerra, a instituição tornou-se a nova força política do Império. A vitória moral dos militares sobre a nobreza monarquista tem seu auge na proclamação da República. Enquanto o Exército foi visto como a instituição que entregava a alma pela pátria, os nobres, em muitos casos, eram considerados verdadeiros parasitas.


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