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MMDC

Canhão Krupp 75 mm, usado em batalha nos arredores da cidade paulista de Atibaia.
Em poucos meses os conflitos se acirraram. No dia 23 de maio, quatro estudantes morreram durante um ataque à Legião Revolucionária (clube paulista dos tenentes getulistas). Foi o estopim esperado pelos opositores de Getúlio. Os nomes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo formaram a sigla MMDC, bandeira da revolta armada que eclodiu em 9 de julho de 1932. Em poucos dias, 200 mil pessoas se alistaram no Exército Constitucionalista e 30 mil homens foram à luta. Isolados, os revoltosos resistiram durante três meses contra artilharias e tropas legalistas vindas de todos os frontes. Renderam-se no dia 1º de outubro, após a morte de 633 paulistas.

Você sabia?

Além da desvantagem numérica o Exército Constitucionalista sofreu com a pouca munição disponível. Logo no início dos conflitos, os soldados paulistas não contavam com mais de 1,5 milhão de cartuchos, para os 27 mil fuzis existentes em todo o Estado. Isso significava uma média de 55 tiros por soldado. Em setembro de 1932 a produção de cartuchos para fuzil Mauzer calibre 7 mm chegou a 240 mil por dia. Desses, 80 mil vinham de fábricas como a Nadir Figueiredo, tradicional vidraria do Estado, que, fiel aos ideais revolucionários, se transformou em indústria bélica em um tempo recorde de 40 dias.


Fim do tenentismo

Objetos usados pelos soldados paulistas durante a Revolução.
Com a derrota paulista, Getúlio Vargas mandou prender e exilar centenas de pessoas. A Revolução de 1932 foi o grito final da chamada República Velha e, por paradoxal que possa parecer, marcou o fim do tenentismo como força específica na política nacional. A conciliação seria muito difícil, mas a Revolução impôs limites ao reformismo de Getúlio, que não mexeu na estrutura fundiária. E, em 1934, foi promulgada a nova Constituição, terceira da História do Brasil.

Fique ligado!

Após o final do conflito, as estatísticas oficiais apontaram 634 soldados paulistas mortos em combate – embora alguns historiadores acreditem que as baixas reais se aproximem de mil. Em menos de três meses de combate, a média é superior a sete mortos por dia. Isso sem considerar as baixas nas tropas do governo federal, até hoje desconhecidas. Para se ter uma ideia da ferocidade da batalha de 1932, durante a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial a FEB teve um total de 451 baixas – em oito meses de combate, isso representa menos de duas mortes por dia.


Veja também:

A Revolução de 30
- Com a Revolução, Getúlio Vargas toma o poder. É o fim do domínio da
oligarquia paulista e da hegemonia do Sudeste na política nacional.

Movimento popular 3 Tenentismo e Populismo -Os antecedentes da Revolução Constitucionalista: o tenentismo e a Revolução de 30.

São Paulo 4 – Crescimento e pobreza -
Na República Velha, a oligarquia paulista ligada à cafeicultura dominava o cenário político nacional. Era a época da política do café-com-leite.
A situação muda com a Revolução de 30.

Para saber mais:

1932 – A Guerra Civil Brasileira -Página do historiador da Unicamp Jeziel de Paula, contém fatos da Revolução e uma galeria de imagens com fotos históricas.



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