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Ditaduras militares

No século XX, Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Bolívia tiveram uma experiência bastante incômoda: a implantação de ditaduras militares. As semelhanças dos métodos entre os militares desses países levaram à perseguição, ao exílio, à tortura ou à morte dos oposicionistas. A longa duração dessas ditaduras e as consequências de suas administrações autoritárias deixaram marcas profundas na Argentina e no Chile, além do próprio Brasil.

O presidente Perón e a influente Evita: práticas ligadas ao fascismo e manipulação da população pobre da Argentina.
Argentina peronista

O coronel Juan Domingo Perón venceu as eleições para a Presidência da Argentina em 1946, com uma prática populista no trato com os trabalhadores e com o apoio do Exército e da Igreja. Nesse período, a situação econômica do país era confortável: a Argentina acumulara divisas durante a Segunda Guerra Mundial, abastecia a Europa com sua produção de carne e cereais e – fato inédito – era credora da Inglaterra em US$ 1,7 bilhão.

Política interna

Perón manteve práticas ligadas ao fascismo: acabou com os partidos políticos, interveio nas entidades trabalhistas e estudantis, destituiu os juízes da Corte Suprema que lhe eram desfavoráveis, perseguiu e torturou militantes comunistas. A influência de sua segunda mulher, Eva Perón, era cada vez mais evidente: como consequência de sua atuação, foi instituído em 1947 o voto feminino na Argentina. Em 1952, Perón foi reeleito, mas suas bases de apoio começaram a minguar.
Eva Perón morreu no início do novo governo, e os militares, que já haviam tentado um golpe em setembro de 1951, durante a campanha presidencial, estavam descontentes. Em 1955, pressionado por militares golpistas, Perón foi deposto e refugiou-se no Paraguai.


Comício peronista no início dos anos de 1950: anticomunismo e controle do movimento operário.
O retorno de Perón e o golpe final


Em 1973, Perón retornou à Argentina, reelegendo-se presidente, com 62% dos votos, e levando como vice na chapa sua terceira mulher, Isabelita Perón. O país já não era mais o mesmo: a prosperidade das décadas de 1940 e 1950 acabara e a crise econômica estava instalada. Com a morte de Perón, em julho de 1974, Isabelita chegou à Presidência. Dois anos depois, os militares a depuseram e o general de divisão Jorge Rafael Videla assumiu o poder.

Militares no poder

Copa do Mundo na Argentina, em 1978: o ditador Jorge Rafael Videla (à esquerda) comemora a vitória.
A fórmula de governo dos militares argentinos não foi muito diferente da dos brasileiros: eles anularam o poder do Congresso, afastaram governadores e juízes, cassaram sindicatos e partidos políticos e perseguiram os inimigos que promoviam a luta armada. Milhares de militantes de oposição foram torturados ou dados como "desaparecidos".

Tal como o Brasil em 1970, a Argentina também utilizou o futebol para distrair a atenção popular das atrocidades do regime. Durante a ditadura argentina, mais de 10 mil pessoas foram assassinadas pela repressão oficial. Esse fato deu origem ao movimento das Mães da Praça de Maio, chamadas de "loucas" pelos militares, que exigiam respostas sobre o paradeiro de seus filhos.



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